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domingo, 15 de junho de 2025

Leitura sobre Últimos encontros com Jesus

Ressurreição e aparição a Maria Madalena (Mateus, Marcos, Lucas, João)

Eis que no primeiro dia da semana, houve um violento tremor de terra: um anjo do Senhor desceu do céu, rolou a pedra e sentou-se sobre ela. Resplandecia como um relâmpago e suas vestes eram claras como a neve. Vendo isto, os guardas pensaram que morreriam de pavor.

E Maria Madalena, Maria e algumas outras (Salomé) foram ao sepulcro de madrugada (quando amanhecia), levando as especiarias (aromas para ungir) que tinham preparado. Sendo ainda escuro, viram a pedra tirada do sepulcro. E entrando não acharam o corpo do senhor Jesus.

Correram, pois, e foram a Simão Pedro, e ao(s) outro(s) discípulo(s), a quem Jesus amava, e disse-lhes: Levaram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o puseram. E eram Maria Madalena, Joana, Maria, mãe de Tiago, e as outras que com elas estavam, as que diziam estas coisas aos apóstolos. Enquanto elas voltavam, alguns homens da guarda já estavam na cidade para anunciar o acontecimento aos príncipes dos sacerdotes. Reuniram-se estes em conselho com os anciãos e deram aos soldados uma importante soma de dinheiro, ordenando-lhes: Vós direis que seus discípulos vieram retirá-lo à noite, enquanto dormieis. Se o governador vier a sabê-lo, nós o acalmaremos e vos tiraremos de dificuldades. Os soldados receberam o dinheiro e seguiram suas instruções. E esta versão é ainda hoje espalhada entre os judeus. 

Então Pedro saiu com o outro discípulo, e foram ao sepulcro. E os dois corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais apressadamente do que Pedro, e chegou primeiro ao sepulcro. E, abaixando-se, viu no chão os lençóis; todavia não entrou.

Chegou, pois, Simão Pedro, que o seguia, e entrou no sepulcro, e viu no chão os lençóis,

E que o lenço, que tinha estado sobre a sua cabeça, não estava com os lençóis, mas enrolado num lugar à parte. Então entrou também o outro discípulo, que chegara primeiro ao sepulcro, e viu, e creu. Porque ainda não sabiam a Escritura, que era necessário que ressuscitasse dentre os mortos. Tornaram, pois, os discípulos para casa.

Magdalena (e Maria) estava(m) chorando fora, junto ao sepulcro. Estando ela, pois, chorando, abaixou-se para o sepulcro.

E viu dois anjos vestidos de branco (resplandecente), assentados onde esteve o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés.

E disseram-lhe eles: Mulher, por que choras? Maria Magdalena lhes disse: Porque levaram o meu Senhor, e não sei onde o puseram.  E o anjo disse-lhes: Não temais! Não está aqui, mas ressuscitou. Lembrai-vos como vos falou; Dizendo: Convém que o Filho do homem seja entregue nas mãos de homens pecadores, e seja crucificado, e ao terceiro dia ressuscite.

E, tendo dito isto, voltou-se para trás, e viu Jesus em pé, mas não sabia que era Jesus.

Disse-lhe Jesus: Mulher, por que choras? Quem buscas? Ela, cuidando (pensando) que era o hortelão, disse-lhe: Senhor, se tu o levaste, dize-me onde o puseste, e eu o levarei.

Disse-lhe Jesus: Maria! Ela, voltando-se, disse-lhe: Raboni, que quer dizer: Mestre. Aproximaram-se elas, e prostradas diante dele, beijaram-lhe os pés.

Disse-lhe Jesus: Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai, mas vai para meus irmãos, e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus.

Maria Madalena foi (com Joana e Maria, mãe de Tiago) e anunciou aos (aflitos e chorosos) discípulos que vira o Senhor, e que ele lhe dissera isto. Quando souberam que Jesus vivia e que ela tinha visto, não quiseram acreditar (pois lhes pareceu um delírio).


Jesus aparece para Maria Magdalena e Maria (sua mãe) de acordo com os apóstolos Mateus e Lucas, mas Marcos e João alegam que ele surgiu primariamente apenas para Magdalena. Em todo caso, a passagem mostra o protagonismo das mulheres - elas que permaneceram junto a cruz onde Jesus foi pregado, foram as primeiras a procurarem Jesus e as primeiras a receberem sua “visita”. 

Maria Magdalena que fôra liberta de “7 demônios” por Jesus, possivelmente recebia uma atenção especial. É possível que ela fosse considerada a décima segunda apóstola por Jesus, mesmo porque o filho de Deus já havia previsto que Judas Iscariotes era um traidor antes mesmo de ser capturado. João ressalta que Jesus a chama pelo nome quando aparece diante dela, certamente indicando o amor puro que sentia por ela.  

Jesus também diz que ainda não subiu para o seu Pai, indicando uma relação com a idéia que ainda não fôra ao reino dos céus. Isto pode ser interpretado como o fato dele realmente estar encarnado pelo fato de ter ressuscitado, porém os espíritas interpretam esta cena e as cenas seguintes de Jesus, como visões, ou seja, o espírito dele estaria visitando seus apóstolos. É uma discussão supérflua, que deixa de lado os temas principais do cristianismo: O amor.  


Os discípulos de Emaús (Marcos, Lucas)

Mais tarde ele apareceu sob outra forma a 2 entre eles que iam para o campo; Nesse mesmo dia, dois discípulos caminhavam para uma aldeia chamada Emaús, distante de Jerusalém sessenta estádios. Iam falando um com o outro sobre tudo o que se tinha passado. Enquanto iam conversando e discorrendo entre si, o mesmo Jesus se aproximou deles e caminhava com eles. Mas os olhos estavam-lhes como que vendados e não o reconheceram.

Perguntou-lhes então: De que estais falando pelo caminho e porque estais tristes?

Um deles, chamado Cléofas, respondeu-lhe: És tu acaso o único forasteiro em Jerusalém que não sabe o que aconteceu esses dias?

Perguntou-lhe: Que foi?

Disseram: A respeito de Jesus de Nazaré… Era um profeta poderoso em obras e palavras diante Deus e de todo o povo. Os nossos sumos sacerdotes e os nossos magistrados o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram. Nós esperávamos que fosse ele quem havia de restaurar Israel, e agora, além de tudo isso, é hoje o terceiro dia que sucederam estas coisas. É verdade que algumas mulheres entre nós nos alarmaram. Elas foram ao sepulcro, antes do nascer do sol; e não tendo achado seu corpo, voltaram dizendo que tiveram uma visão de anjos, os quais asseguravam que está vivo. Alguns dos nossos foram ao sepulcro e acharam assim como as mulheres tinham dito, mas a ele mesmo não viram.

Jesus lhes disse: Ó gente sem inteligência (néscia)! Como sois tardos de coração para crerdes tudo o que anunciaram os profetas! Porventura não era necessário que Cristo sofresse estas coisas e assim entrasse na sua glória? E começando por Moisés, percorrendo todos profetas, explicava-lhes o que dele se achava dito em todas as Escrituras.

Aproximaram-se da aldeia para onde iam e ele fez como se quisesse passar adiante. Mas eles forçaram-no a parar: Fica conosco, já é tarde e já declina o dia. Então entrou com eles. Aconteceu que, estando sentado conjuntamente à mesa, ele tomou o pão, abençoou-o e partiu-o, e os olhos o reconheceram… mas ele desapareceu. Diziam então um para o outro: Não se nos abrasava o coração, quando ele nos explicava as escrituras?

Levantaram-se na mesma hora e voltaram a Jerusalém. Aí acharam reunidos os onze e os que com ele estavam. Todos diziam: O Senhor ressuscitou verdadeiramente e apareceu a Simão. Eles, por sua parte, contaram o que lhes havia acontecido no caminho e como tinham reconhecido ao partir o pão, mas estes (os onze) tampouco acreditaram.  


Esta passagem aparece muito resumidamente “em Marcos” e mais detalhada nos textos atribuídos a Lucas. Interessante notar como Cléofas e o outro apóstolo descreveram Jesus como um profeta e também como eles esperavam que ele fosse restaurar a nação de Israel, afinal esta sucumbiu muitos anos antes e a região se encontrava sob domínio do Império Romano.

Cléofas e seu colega também afirmaram que a execução de Jesus era algo publicamente conhecido na região; Jesus por sua vez, em tom crítico, reprova a tristeza deles: Eles deviam saber que Jesus sofreria o que sofreu e que Israel não seria restaurada por ele - Isso porque a ênfase de Jesus sempre foi na lei de amor (piedade, solidariedade, equidade etc) e não em nacionalismos e outras convenções humanas mundanas.  

Por fim, Jesus abençoa o pão, partindo-o e desaparece diante os 2 apóstolos; As religiões católica e protestante predominantemente entendem essas aparições de Jesus como um personagem encarnado (em carne e osso), enquanto o espiritismo explica que elas foram manifestações do espírito de Jesus. Quaisquer obras físicas feitas por Jesus durante “suas aparições” então, de acordo com o espiritismo, teriam sido realizadas através de seu perispírito: o “fluido” (possivelmente um campo relacionado à radiação eletromagnética) produzido pelo espírito e que serve também como o elo entre este (a alma) e corpo quando encarnado. Uma diferença irrelevante entre as narrativas das passagens de Jesus, porém que incita paixões e ódios quando discutida entre fanáticos de quaisquer tipos.


Aparição aos Discípulos (Mateus, Marcos, Lucas, João)  

Enquanto ainda falavam destas coisas, na tarde do mesmo dia, que era o primeiro da semana, os discípulos tinham fechado as portas do lugar onde se achavam, por medo dos judeus. Jesus veio e pôs-se no meio deles, quando estavam sentados à mesa, dizendo: “A paz esteja convosco!” 

Perturbados e espantados, pensavam estar vendo um espírito. Mas ele lhes disse: 

Por que estais perturbados, e por que estas dúvidas em vosso corações? Vede minhas mãos e meus pés, sou eu mesmo. Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. 

Os discípulos se alegraram ao ver o Senhor. 

E (Jesus) censurou-lhes a incredulidade e a dureza de coração, por não acreditarem aos que o tinham visto ressuscitado. E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho (as boas mensagens) a toda criatura. Quem for batizado será salvo, mas quem não crer, será condenado. Estes milagres acompanharão os que crerem: expulsarão os demônios em meu nome, falarão novas línguas, manusearão serpentes e, se beberem algum veneno mortal, não lhes fará mal; imporão as mãos aos enfermos, e eles ficarão curados.

Depois lhes disse: Isto é o que eu vos dizia quando ainda estava convosco, era necessário que se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos. Abriu-lhes então o espírito, para que compreendessem as Escrituras, dizendo: Assim é que está escrito, e assim era necessário que Cristo padecesse, mas, que ressurgisse dos mortos no terceiro dia, e que em seu nome pregasse a penitência e a remissão dos pecados em todas nações, começando por Jerusalém. Vós sois as testemunhas de tudo isso. Eu vos mandarei o Prometido de meu Pai; entretanto permanecei na cidade, até que sejais revestidos de força do alto.

Tomé, um dos doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. 

Os outros discípulos disseram-lhe: Vimos o Senhor.

Mas ele replicou-lhes: Se não vir nas suas mãos o sinal dos pregos e não puser o meu dedo no lugar dos pregos nem introduzir minha mão no seu lado, não acreditarei.

Oito dias depois estavam os discípulos outra vez no mesmo lugar e Tomé com eles. Estando trancadas as portas, veio Jesus, pôs-se no meio deles e disse:

A paz esteja convosco!

E dizendo isso mostrou-lhes as mãos e os pés. Depois disse a Tomé:

Introduz aqui teu dedo e vê minhas feridas. Põe a tua mão no meu lado. Apalpai e vêde: um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho. Não sejas incrédulo, mas homem de fé. 

Mas, vacilando eles ainda e estando transportados de alegria, perguntou:

Tendes aqui algo para comer?

Então lhe ofereceram um pedaço de peixe assado. Ele tomou e comeu a vista deles.

Respondeu-lhe Tomé: Meu Senhor e meu Deus!

Disse-lhe Jesus: Creste, porque me viste. Felizes aqueles que crêem sem ter visto!


A aparição de Jesus aos seus discípulos na sala onde faziam a refeição é mencionada nos textos de Marcos, de Lucas e de João. Somente João menciona que o ambiente está fechado/ trancado e que Tomé só viu Jesus, 8 dias após os demais discípulos.

Aqui a sequência está misturada/ trocada: O trecho em que Jesus come o pedaço de peixe é citado só no texto de Lucas, como se Jesus estivesse provando a todos que se manifestou em carne e osso. Marcos, que parece ser mais sucinto, não cita nada disso e João mostra que Jesus só é mais enfático para provar sua presença materializada diante Tomé, pois os demais apóstolos não eram tão céticos quanto o “Dídimo”.

As igrejas católicas e protestantes (evangélicas) classificam tal cena como parte da ressurreição de Jesus. O espiritismo explica que é um tipo de fenômeno mediúnico causado pelo espírito de Jesus que é o mais próximo de Deus: assim Jesus tem o poder de, através de seu perispírito, criar uma forma corpórea idêntica ao seu corpo, através do que Kardec no século 19 estipulava ser um tipo de fluido magnético e/ ou elétrico. Hoje sabemos que o magnetismo e a eletricidade não se manifestam por um fluido e sim por campos/ ondas, pois o eletromagnetismo é radiação, porém a ciência com seus respectivos métodos e pressupostos não podem investigar nem explicar tais fenômenos: geralmente ela parte de que só existe a matéria/ o espaço tridimensional e nada espiritual. Talvez coubesse uma explicação filosófica que possui um método de investigação puramente racional e dialético. Ainda assim a explicação filosófica deveria ter a ética e seu(s) valor(es) universais como pressuposto.

Esses detalhes de como ocorreu a "ressureição" de Jesus, seja a versão das igrejas, do espiritismo ou de qualquer outra espiritualidade ou filosofia, pouco importam pois não tratam dos ensinamentos de Jesus sobre seu amor solidário de coração (mente/ espírito) e de ações. 

Jesus pediu para que os apóstolos pregassem o “evangelho” por todo o mundo. A palavra "evangelho" é grega em sua origem e talvez nem fosse conhecida por Jesus. Dificilmente ele usaria esta palavra como foi escrita nas bíblias nas línguas gregas, latina, portuguesa ou inglesa - ele possivelmente pronunciou um termo como “boa mensagem” ou “boa novidade” (algo equivalente a "ev - angelos") se referindo aos seus ensinamentos de amor divino. Isto vale ser citado para lembrar que Jesus propagou um ensinamento pautado na amizade entre todos humanos - o amor é um bom sentimento, e o que Jesus pregou foi o amor universal - equitativo entre toda a humanidade. Por isso ele disse para João não repreender quem propagasse seus ensinamentos mesmo que este não fosse um discípulo e por isso Jesus citou um estrangeiro como "o próximo" a ser amado e também por isso elogiou o centurião que se mostrou humilde mesmo pertencendo a outra cultura (romana).

Discutir como ocorreu a cena da aparição aos discípulos exatamente ou bradar que somente a sua versão (de sua respectiva religião etc) é correta, é um daqueles assuntos que geram discórdias e disputas que contradizem os ensinamentos do próprio Jesus. Ao longo da história, aproximadamente entre os séculos 4 e 11, os concílios da igreja calaram muitas vozes de cristãos independentes de sua centralização e destruíram muitas obras que discutiam temas como estes e outros semelhantes. Os concílios em grande parte mostraram-se mais imposições e opressões do que conciliações, justamente porque não tinham a ética do amor universal de Jesus como finalidade.

Mesmo a reforma da igreja fomentada por Lutero no século 16, ainda perpetuou dogmas que não estavam centrados nos ensinamentos de Jesus e seu amor universal, ou seja, de diálogo coletivo - Jesus não condenava outros que pregavam seus ensinamentos.


Aparição na Galiléia (Mateus, João)

Os onze discípulos foram para a Galiléia, para a montanha que Jesus lhes tinha designado. Depois disso, tornou Jesus a manifestar-se aos seus discípulos junto ao lago de Tiberíades, deste modo:

Estavam juntos Simão Pedro, Tomé, Natanael (que era de Caná da Galiléia), os filhos de Zebedeu (João e Tiago) e outros dois de seus discípulos. Disse-lhes Simão Pedro: Vou pescar.

Responderam-lhe eles: Também nós vamos contigo. Partiram e entraram na barca. Naquela noite, porém, nada apanharam. Chegada a manhã, Jesus estava na praia. Quando o viram, adoraram-no, entretanto, alguns (discípulos não o conheceram) hesitavam ainda.  

Perguntou-lhes Jesus: Amigos, não tendes acaso alguma coisa para comer?

“Não” Responderam-lhe.

Disse-lhes ele: Lançai a rede ao lado direito da barca e achareis.

Lançaram-na e já não podiam arrastá-la por causa da grande quantidade de peixes.

Então aquele discípulo que Jesus amava, disse a Pedro: É o Senhor! Quando Simão Pedro ouviu dizer que era o Senhor, cingiu-se com a túnica (porque estava nu)e lançou-se às águas. Os outros discípulos vieram na barca, arrastando a rede dos peixes (pois não estavam longe da terra, senão cerca de 200 côvados). Ao saltarem em terra, viram umas brasas preparadas e um peixe em cima delas, e pão.

Disse-lhes Jesus: Trazei aqui alguns dos peixes que agora apanhastes. Subiu Simão Pedro e puxou a rede para terra, cheio de 153 peixes grandes. Apesar de serem tantos, a rede não se rompeu.

Disse-lhes Jesus: Vinde e comei.

Nenhum dos discípulos ousou perguntar quem és tu? pois bem sabiam que era o Senhor. Mas Jesus aproximando-se, tomou o pão, lhes deu, e do mesmo modo o peixe. (Então) lhes disse:

Toda autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, pois ensinai a todas as nações, batizai-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo.

Esta já era a terceira vez que Jesus se manifestava aos seus discípulos, depois de ter ressuscitado.


Mateus e João falam de uma manifestação de Jesus aos seus discípulos na Galiléia; porém o primeiro só menciona a fala de Jesus sobre a importância de se espalhar seus ensinamentos, enquanto o segundo mostra mais um milagre. A autoridade de Jesus indicada por Mateus não contradiz necessariamente seu amor que é o mesmo de Deus que não julga seus filhos, ou seja, não julga vida alguma. É uma autoridade adquirida por Jesus viver os ensinamentos do amor universal de seu Pai - afinal como Deus não amaria TODA a sua criação? Aquele que vive o amor de corpo e alma, ou seja, na prática em suas ações e também na mentalidade sincera, vive os ensinamentos de Jesus e a lei de Deus. Jesus viveu na humildade, sem acumular bens, sem objetificar pessoa alguma, ajudando os mais necessitados e estabelecendo regras para um convívio pacífico entre pessoas de todas as nacionalidades.  

O batismo mencionado no texto de Marcos e de Mateus, é um ritual existente desde a primeira religião abraâmica - o judaísmo (embora outras religiões também possam ter rituais de iniciação similares ou equivalentes). Mostra-se um rito simbólico de purificação; Simbólico porque trabalha elementos da natureza como a água e sua interação com o corpo, mas não se limita a isso: é uma passagem onde o batizado é introduzido ou comprometido na fé da religião em particular. Mais importante que o ato físico, seja qual for, é a mentalidade sincera dos envolvidos (seja por parte do que batiza ou de ambos: o batista e o batizado). Essa mentalidade é pautada pela lei divina que é de amor a todos, uma vontade e um compromisso com o amor universal de Deus.


Profissão de amor de Pedro (Apêndice, conclusão de João)

E, depois de terem jantado, disse Jesus a Simão Pedro: Simão, filho de Jonas, amas-me mais do que estes? E ele respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe: Apascenta os meus cordeiros.

Tornou a dizer-lhe segunda vez: Simão, filho de Jonas, amas-me? Disse-lhe: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas.

Disse-lhe terceira vez: Simão, filho de Jonas, amas-me? Simão entristeceu-se por lhe ter dito terceira vez: Amas-me?

E disse-lhe: Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo.

Jesus disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas. Na verdade, na verdade te digo que, quando eras mais moço, te cingias a ti mesmo, e andavas por onde querias; mas, quando já fores velho, estenderás as tuas mãos, e outro te cingirá, e te levará para onde tu não queiras. E disse isto, significando com que morte havia ele de glorificar a Deus. Dito isto, disse-lhe: Segue-me.

E Pedro, voltando-se, viu que o seguia aquele discípulo a quem Jesus amava, e que na ceia se recostara também sobre o seu peito, e que dissera: Senhor, quem é que te há de trair?

Vendo Pedro a este, disse a Jesus: Senhor, e deste que será?

Disse-lhe Jesus: Se eu quero que ele fique até que eu venha, que te importa a ti? Segue-me tu.

Divulgou-se, pois, entre os irmãos este dito, que aquele discípulo não havia de morrer. Jesus, porém, não lhe disse que não morreria, mas: Se eu quero que ele fique até que eu venha, que te importa a ti?


Jesus pede a Pedro para que este conduza os cristãos. E quando Pedro pergunta sobre “o discípulo que perguntou quem trairia Jesus”, é possível que ele se refira a João (Evangelista). É aceito que João era o mais jovem dos apóstolos e o que mais viveu…


Ascenção (Marcos, Lucas)

Depois (que o Senhor Jesus lhes falou) os levou para Betânia e, levantando as mãos, os abençoou. Enquanto abençoava, separou-se deles e foi levado (arrebatado) ao céu e está sentado à direita de Deus. Depois de terem o adorado, voltaram para Jerusalém com grande júbilo e permaneceram no templo, louvando e bendizendo a Deus.

Os discípulos partiram e pregaram por toda parte. O Senhor cooperava com eles e confirmava a sua palavra com milagres que a acompanhavam.


Como um ensinamento de amor, a palavra de Jesus e de seus discípulos não poderia ser meramente racional: necessita de expressão de sentimento, eis o porquê de adorar e louvar.


segunda-feira, 2 de junho de 2025

Leitura sobre Jesus ante os líderes Religiosos

Jesus diante o conselho/ Negação de Pedro (Mateus, Marcos, Lucas, João

Os que prenderam a Jesus o conduziram primeiro a Anás, por ser sogro de Caifás, sumo sacerdote daquele ano

Pedro junto a outro discípulo conhecido do sumo sacerdote, o seguiu de longe, até ao pátio da casa do sumo sacerdote. Ora, Pedro estava assentado fora, no pátio; e, aproximando-se dele uma criada, disse: Tu também estavas com Jesus, o galileu. Mas ele negou diante de todos, dizendo: Não sei o que dizes. Os servos e os guardas acenderam um fogo, porque fazia frio e se aqueciam.

O outro discípulo conhecido do sumo sacerdote saiu e falou à porteira, e esta deixou Pedro entrar. E, entrando, assentou-se entre os criados, para ver o fim.

O sumo sacerdote (ou Anás) indagou de Jesus acerca de seus discípulos e da sua doutrina.

Jesus respondeu-lhe: Falei publicamente ao mundo. Ensinei no templo e na sinagoga, onde se reúnem os judeus e nada falei às ocultas. Por que me perguntas? Pergunta àqueles que ouviram o que lhes disse. Estes sabem o que ensinei.

A estas palavras, um dos guardas presentes esbofeteou Jesus dizendo: É assim que respondes ao sumo sacerdote?

Replicou-lhe Jesus: Se falei mal, prova-o, mas se falei bem, porque me bates?

Anás então enviou-o preso à casa do sumo sacerdote Caifás, onde os escribas e os anciãos estavam reunidos.


E Simão Pedro que estava se aquecendo, saindo para o vestíbulo, foi visto por outra criada, que disse aos que ali estavam: Este também estava com Jesus, o Nazareno. E, daí a pouco, aproximando-se de Pedro os que ali estavam, disseram-lhe: Verdadeiramente também tu és deles, pois a tua fala te denuncia. Então Pedro negou outra vez com juramento: Não conheço tal homem.

Eis que disse-lhe um dos servos de Caifás, que era parente daquele a quem Pedro cortara a orelha, a Pedro: Eu não te vi com ele no horto? Então começou ele a praguejar e a jurar, dizendo: Não conheço esse homem! E imediatamente o galo cantou.

E lembrou-se Pedro das palavras de Jesus, que lhe dissera: Antes que o galo cante, três vezes me negarás. E, saindo dali, chorou amargamente. 

Ora, os príncipes dos sacerdotes, e os anciãos, e todo o conselho, buscavam falso testemunho contra Jesus, para poderem dar-lhe a morte; E não o achavam; apesar de se apresentarem muitas testemunhas falsas, não o achavam. Mas, por fim chegaram duas testemunhas falsas e disseram: Este disse: Eu posso derrubar o templo de Deus, e reedificá-lo em três dias.

E, levantando-se o sumo sacerdote, disse-lhe: Não respondes coisa alguma ao que estes depõem contra ti?

Jesus, porém, guardava silêncio. E, insistindo o sumo sacerdote, disse-lhe: Conjuro-te pelo Deus vivo que nos digas se tu és o Cristo, o Filho de Deus.

Jesus respondeu-lhes: Tu o disseste; Se eu vos disser, não me acreditareis e se vos fizer qualquer pergunta, não me respondereis. Continuou Jesus: Digo-vos, porém, que vereis em breve o Filho do homem assentado à direita do Poder, e vindo sobre as nuvens do céu.

Então o sumo sacerdote rasgou as suas vestes, dizendo: Blasfemou! Para que precisamos ainda de testemunhas? Eis que bem ouvistes agora a sua blasfêmia.

Que vos parece? E eles, respondendo, disseram: É réu de morte.

Então cuspiram-lhe no rosto e lhe davam punhadas, e outros o esbofeteavam,

Dizendo: Profetiza-nos, Cristo, quem é o que te bateu?


Os opositores de Jesus, essencialmente liderados pelos grupos que detinham algum poder na sociedade (sacerdotes, anciãos etc), se opunham ao amor e todas suas facetas ou virtudes correlacionadas, como a humildade, a paciência, a temperança, a piedade, a solidariedade etc. Do ponto de vista histórico, tratava-se de uma época onde as sociedades tinham menos leis, menos justiça, mais rudeza, com mais ignorância e mais violência do que nos tempos de uma sociedade mais democratizada (pós século 17). Apesar de mais rústica e violenta, a sociedade do tempo de Jesus tinha lideranças religiosas, políticas e econômicas não muito diferentes das de hoje: constituída por pessoas sedentas por riquezas materiais, por status e poder sobre os outros.

Do ponto de vista espiritual certamente também houve algum (lento) progresso após a passagem de Jesus na Terra, já que muitos costumes brutais da antiguidade são tidos como reprováveis neste início de século 21.

Com estes dois exemplos, é mais fácil imaginar o quão baixos (covardes e egoístas) e numerosos eram aqueles que desprezavam, ou mesmo odiavam a Jesus e seus ensinamentos de amor. O processo de humanização, ou seja, de difusão da importância do amor é muito lento do ponto de vista terreno, pois é uma construção histórica que demora várias gerações, porém para Deus e o reino dos céus, certamente é muito mais breve.

Simão Pedro não conseguiu manter sua promessa diante dos inimigos de Jesus. Sendo Pedro um apóstolo próximo e querido de Jesus, isto seria um mistério? Ou seria um fato esperado, tendo em vista as forças espirituais por trás de um evento tão importante? Considerando a civilização humana mesquinha e bruta do século 1, a vida (encarnação) de Jesus de Nazaré, o Cristo na Terra, mostrou-se um evento que transcende toda história dos seres humanos, tão cheia de futilidades, ganância e violência. Nunca antes na história da humanidade uma doutrina de amor espalhou-se de maneira tão vasta pela Terra, mesmo considerando a demora para as gerações de seres humanos entenderem e praticarem os ensinamentos de Cristo.


 Suicídio de Judas (Mateus)

E chegando pela manhã, todos os príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo reuiniram-se em conselho para entregar Jesus à morte. Ligaram-no e o levaram ao governador Pilatos.

Judas, o traidor, vendo-o então condenado, tomado de remorsos, foi devolver aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos as trinta moedas de prata, dizendo-lhes:

Pequei, entregando o sangue de um justo.

Responderam-lhe: Que nos importa? Isto é lá contigo!

Ele jogou então no templo as moedas de prata, saiu e foi enforcar-se.

Os príncipes dos sacerdotes tomaram o dinheiro e disseram: Não é permitido lançá-lo no tesouro sagrado porque se trata de preço de sangue. 

Depois de haverem deliberado, compraram com aquela soma, o campo do Oleiro, para que ali se fizesse um cemitério de estrangeiros. Esta é a razão porque aquele terreno é chamado, ainda hoje, "Campo do Sangue". Assim se cumpriu a profecia de Jeremias: "Eles receberam trinta moedas de prata, preço daquele, cujo valor foi estimado pelos filhos de Israel; e deram-no pelo campo do Oleiro, como o senhor me havia prescrito".

Somente Mateus menciona este encontro de Judas Iscariotes com os sacerdotes e líderes do estado judaico (sob o Império Romano), seguido pelo suicídio do "ex apóstolo" de Jesus.

Obviamente é difícil provar historicamente o texto de Mateus, como vários outras passagens referente a Jesus e seus apóstolos; afinal eram pessoas de baixas classes sociais, sem registro na história que era escrita basicamente por líderes de estados, de religiões etc. 

O significado da passagem é bem mais espiritual do que "histórico científico" (como a maioria das passagens do evangelho) e busca construir um saber pautado na ética e não em métodos que busquem mensurabilidade ou evidências sensoriais. O texto de Mateus indica que o profeta (judeu) Jeremias já havia "previsto" ou tido uma "visão" sobre como seus conterrâneos continuariam a trair a lei divina, cuja Jesus mostrou estar centrada no amor universal. Os líderes religiosos e políticos judeus continuariam ignorando a equidade, a justiça, a humildade e o amor por séculos desde a época de Jeremias, até a "chegada" de Jesus. São líderes que assumem tal posição no mundo por egoísmo: para se sobressair sobre as multidões ou para encherem-se de riquezas materiais e prazeres sensoriais. Estes dois tipos de indivíduos são claramente criticados na obra do filósofo grego, Platão. Em textos como a República, eles são classificados como os filonikons (briguentos ou amantes da honraria) e filokerdes (amantes do lucro ou do dinheiro). No diálogo Fédon, Platão indica que estas duas classes ou tipos de pessoas são "filosómaton", ou seja, amantes do corpo, que não se importam com a psiquê, a mente/ a alma. Assim eles também menosprezam o cognoscível e os valores universais.

Estas passagens também mostram a dificuldade de se manter no caminho da justiça, do amor e do bem: Judas, que já havia decidido trair Jesus há algum tempo, enche-se de remorso após ver os poderosos se reunirem, mas suas ações acovardadas já tinham gerado um resultado: A condenação de um justo: Jesus.

Pedro, por sua vez, mostrou-se impulsivo e/ ou hesitante até o momento em que os judeus se reuniram para condenar Jesus. Apesar de ter tentado defender Jesus usando a espada contra os judeus, parece que Pedro demorou a entender que Jesus é pacífico. Talvez o apóstolo esperasse que seu mestre enfrentasse os poderosos quando encurralado, mas isto não faz parte dos ensinamentos de Jesus.

Quando Jesus disse que "trouxe a espada", fica claro após ele reprimir Pedro, que a "espada" de Jesus era o mesmo que sua "chama": o amor universal equitativo para todos, ou seja um amor que rompia as estruturas tradicionais de obediência cega e de rigores insensíveis da sociedade como um todo. Um amor que também incinerava/ cortava as estruturas das religiões que priorizavam ritos e dogmas ao invés do amor e do bem universal.

Jesus: seriamente austero ou esperançosamente alegre?

 Após ler um texto do fundador do espiritismo, Allan Kardec, onde este analisa a obra de outro autor, chamado Renan, decidi escrever este te...