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terça-feira, 12 de julho de 2022

O Bom Julgamento não tolera Vingança

Desmistificando a Esquerda e a Direita nos meios Esotéricos e Espirituais / Religiosos 

Há meses venho me decepcionando com pessoas supostamente espiritualizadas: Seja entre espíritas ou entre umbandistas. Entendo que não se trata de olhar toda religião ou doutrina deles como errada (mesmo porque entendo e aceito muita explicação do espiritismo e até algumas coisas da umbanda), afinal isto seria julgar. O que me incomodou foram alguns conceitos que muitos deles levantam como verdades em torno de como funciona a justiça espiritual, suas penas e punições. É o fato destas pessoas acharem que os espíritos que punem os pecadores e/ou malfeitores, ou seja, os algozes, os carrascos e afins, fazem parte de algo digno, ou até mesmo que exercem uma função de justiça mais ou menos elevada. Se tratando das religiões e filosofias que lidam com o assunto dos espíritos, algumas perguntas são (ou deveriam ser) mais recorrentes: 
Porque Deus permite que os espíritos nas "trevas" ou mais "trevosos" (zombeteiros, infelizes e impuros), atormentem os encarnados? 
Estes espíritos servem para cumprir as missões grosseiras, como punir encarnados vaidosos, egoístas, preguiçosos, gananciosos etc. Muitas vezes estes espíritos não sabem que estão realizando uma tarefa/ missão, permitida por Deus, pois eles se comprazem em atormentar os outros e fazem isso por prazer, sem receber ordens específicas. Isto é indicado no Livro dos Espíritos: 
570. Os Espíritos percebem sempre os desígnios que lhes compete executar? 
 “Não. Muitos há que são instrumentos cegos. Outros, porém, sabem muito bem com que fim atuam.” 
 571. Só os Espíritos elevados desempenham missões? 
 “A importância das missões corresponde às capacidades e à elevação do Espírito. O mensageiro que leva um telegrama ao seu destinatário também desempenha uma missão, se bem que diversa da de um general.” 
Os espíritos que atormentam e punem ganham acesso aos que precisam de correção/ punição, através de afinidade / por semelhanças, pois possuem propensões, gostos e intenções egoístas e vaidosas parecidas com as do encarnado que é o alvo de suas obsessões, fascinações ou subjugações. 
Estes espíritos inferiores são numerosos em torno de mundos onde ainda há muita iniquidade e injustiça, logo não representam a justiça em si, pois não são justos. Portanto eles jamais poderiam ser confundidos com anjos / espíritos elevados - eles são no máximo semelhantes aos habitantes encarnados do mundo onde interagem. Em geral não devem ter um bom juízo, ou seja, raramente devem ter uma boa noção de justiça, ainda mais, uma justiça superior e/ou divina. A justiça, ou o bom julgamento, não fazem parte de seus objetivos, aspirações nem intenções. 
O judaísmo místico e o cristianismo onde o espiritismo se apoia, explicam isto: A justiça representada por ordens angelicais (espíritos superiores) e/ou representadas em diagramas como a árvore da vida judaica/ hermética, não se trata destes espíritos que se comprazem em atormentar os encarnados, servindo como carrascos e executores. Esta justiça superior, chamada de Geburah no judaísmo místico (Força, Julgamento), está mais para a mão esquerda citada por Jesus: "quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita..." Esta passagem não trata só de ser discreto enquanto se faz um ato de caridade: ela também tem o significado místico onde a mão esquerda sendo o julgamento, não deve olhar o que a piedade (mão direita) faz, para não julgar o assistido, o socorrido. A justiça, ou a força no caminho do bem, é olhar a trave no próprio olho antes de incomodar-se com o cisco no olho alheio. Afinal de contas, quando falamos da sefirat Geburah ou de sua ordem angelical equivalente, estamos falando não só do caminho do progresso rumo à Deus, como estamos falando de um estado elevado de consciência ou de existência: A força de vontade, o bom juízo, o bom julgamento. 
Esta força de vontade voltada ao bem, ao lado da misericórdia e da piedade (que por sua vez, regem a caridade e a solidariedade) é o que deve fomentar a espontaneidade das boas ações, bons sentimentos etc. Geburah, a Força, o (bom) Julgamento é uma sefirat do lado esquerdo da árvore da vida, e à sua direita está Chesed, a Misericórdia, a Piedade. 




Portanto a esquerda não se trata de julgar os outros, nem de punir terceiros - As virtudes, ou sejam, as sefirats da esquerda - Hod, Geburah e Binah estão mais para o caminho da auto-correção, pois o Julgamento (Geburah) é a força de vontade para resistir as tentações e é ou faz parte da confiança em Deus! 
Quando ficamos impedidos de nos dedicar à solidariedade, ao ensinamento da lei divina de amor (ao ajudar o próximo mais diretamente - o caminho espiritual da direita), resta-nos só um caminho mais recluso, como o das orações, da escrita e da força de vontade para não cair nas tentações (seja de prazeres mesquinhos, ou de ofender o próximo etc). É o caso da (santa) Teresa d'Ávila, por exemplo, que era uma freira espiritualizada do século 16 que não tinha o direito de ensinar ao povo pelo fato de ser mulher. Santa Teresa D'Ávila teve uma vida cristã humilde, cheia de restrições, mas escreveu sobre suas experiências transcendentais/ místicas, conscientemente ou inconscientemente traçou paralelos com religiões orientais, além de trabalhar em obras de caridade e em raras oportunidades de discursar para alguns grupos de pessoas. Este caminho mais recluso e/ ou contemplativo é o caminho da esquerda e não se trata de punir pecadores! Aquele que pune o próximo, não está na esquerda da espiritualidade, nem do esoterismo, nem de coisa alguma - está imerso em pensamentos, sentimentos e atitudes inferiores, no máximo seguindo o lema "olho por olho e dente por dente", um caminho de meras retaliações e vinganças. 
A vingança é um ato rasteiro, onde se continua as ações ofensivas e/ou agressivas e por isso ela é condenada por várias religiões como o budismo, todas vertentes do cristianismo (catolicismo, protestantismo, espiritismo etc) e em algumas outras religiões e vertentes destas.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

As Margens entre Ciências Humanas/Biológicas e Misticismo

 

Falar de crenças ainda é um tabu no meio acadêmico/ científico. A psicologia que, em partes, deveria estudar seus efeitos e causas, está dividida. Tal divisão é profunda e é similar à que ocorre com alguns outros campos da ciência também. 

Em outro texto ( https://nea-ekklesia.blogspot.com/2021/07/a-alma-um-tema-talvez-inconclusivo-mas.html ) mencionei um médico, que ao observar pacientes que passaram por EQM, teorizou que a “consciência” existe além do cérebro. Uma "afronta" aos materialistas/ empiristas, feita por alguém que basicamente estudou uma ciência alicerçada sobre o método empírico: A medicina. Por um outro lado, a Organização Mundial da Saúde já admite que a espiritualidade tem sua importância na saúde mental de muitas pessoas. O Consciente/ a Consciência e as Crenças As crenças, se levadas a sério, têm sua influência não necessariamente na consciência - muitas vezes elas ficam no subconsciente (ou inconsciente) até serem resgatadas pela consciência. Obviamente toda informação em nossa mente/ aparelho psíquico, seja uma memória, um sentimento ou mesmo uma interpretação, não deixam de existir em momento algum: Elas apenas ficam inativas ou fora da percepção da consciência por determinados períodos (afinal, deixar de existir para voltar a existir depois de algum tempo, não é muito científico). Isto é claro nos estudos psicológicos da frente psicanalítica, sejam estudos de Freud, de Jung ou de outro estudioso desta área. Uma crença levada a sério é “um acreditar”, podendo ser considerada uma “certeza” da pessoa que acredita. 

Na frente fenomenológica da psicologia, esta crença faz parte da realidade do indivíduo. Afinal, para se estudar uma pessoa em particular (paciente, cliente etc), deve-se não só evitar preconceitos, como também suspender bases teóricas generalistas, que às vezes, por não levar em consideração os fatos particulares de cada pessoa, acabam colaborando para diagnósticos errados. Nestas abordagens fenomenológicas a consciência é uma atividade direcionada, sempre sendo uma consciência de algo, o que as aproximam da teoria geral dos sistemas. Sendo assim, a consciência do psicoterapeuta trabalha desvelando os “acidentes” (de certo modo, os fatos históricos constituintes do objeto/ ser) para chegar à essência do "objeto" (paciente etc). Então, mesmo com as diferenças entre psicanálise e fenomenologia, pode-se notar que a consciência (o consciente) é um elemento ativo do aparelho psíquico. Em ambas bases de estudo (quer você considere científicas ou não) a consciência não tem substância perceptível pelos 5 sentidos humanos, mas lida com informações captadas pelos sentidos e com intenções e elementos mais “profundos” de nossas mentes, sendo que estes últimos a frente psicanalítica posiciona no inconsciente. 

Voltando à pessoa que crê em algo, o seu interesse e/ou a sua fascinação são “aberturas” na mente que podem ser consideradas vulnerabilidades. Isto ocorre porque, em um relacionamento com outro indivíduo por exemplo, o interesse e a fascinação permitem a criação de um elo ou empatia com uma “pessoa”. Se esta pessoa for mal intencionada ela pode usar desta abertura psíquica para “atacar” o indivíduo fascinado ou vulnerável. Este ataque não é necessariamente algo destrutivo, podendo ser uma influência que se transmite pelo inconsciente. Uma manipulação emocional já pode ser considerada como uma influência mais naturalmente perceptível. 

Esta influência é “tratada” pela hipnose e por diversos meios chamados de mágicos, místicos e afins. Nestes últimos meios ela é frequentemente considerada um ataque astral. 

 

Das Teorias Místicas até as Científicas 

Ataques astrais podem ser feitos à distância quando o atacante tem um objeto do alvo em posse. Este tipo de ataque é mais difícil de ser realizado e recebe vários outros nomes genéricos pouco precisos, desde magia negra até vudu… 

Não estar com a mente, ou talvez mais precisamente, o inconsciente, aberto, é uma maneira efetiva de defesa contra influências nocivas (ou ataques astrais). Tranquilidade, estabilidade e fé são meios de defesa contra ataques astrais. Certamente estados de depressão e ansiedade são estados de vulnerabilidade, pois estão relacionados a vazios (literais) afetivos/ existenciais. 

É óbvio que céticos materialistas abominam estes fatos, geralmente negando-os pelo fato de praticamente não poderem ser detectados no espaço-tempo conhecido, como por exemplo, na atmosfera ou nos corpos humanos. 

Há teorias que afirmam que sentimentos e interações como essas afetam muito sutilmente os campos eletromagnéticos (não estou falando necessariamente de Kardec aqui, temos estudos muito mais recentes feitos pelo Heartmath Institute Research Center e por outros cientistas)… Isto deve explicar porque é mais fácil realizar ataques próximos, pois nestes casos os corpos ou cérebros devem manifestar algum tipo de campo sutil, ainda pouco conhecido na atualidade. 

Note que sofrimentos psíquicos, dos quais os leigos chamam de momento difícil, podem gerar vulnerabilidades. Todo sentimento negativo acaba se relacionando com algum tipo de sofrimento e pode eventualmente constituir psicopatologias ou comportamentos doentios. O termo doentio é usado aqui para definir nocivo - algo que propaga sofrimento, dificuldades e, em alguns casos mais extremos, doença e morte. 

 De acordo com teorias místicas, cascas astrais são formas residuais relacionadas aos corpos astrais (talvez às almas desencarnadas também). Ao atingir outros níveis de consciência (ou acessar planos superiores também?), a casca astral pode se dissolver ou permanecer algum “tempo” no plano astral, servindo para mentes (inconscientes ou espíritos) encarnadas ou desencarnadas. Esta casca pode ser habitada por elementais ou por vontades e desejos naquele nível de “consciência” (que a casca ficou). Sejam mentes ou espíritos, eles são apegados à vida terrestre e tendem a buscar “energias” como parasitas. 

Praticamente todos esses elementos são discutidos apenas entre místicos porque lidam com o “imaterial” ou incorpóreo. Porém eles também trabalham os sentimentos e o inconsciente, ocasionalmente chamado de subconsciente. Como mencionado anteriormente, de acordo com alguns métodos utilizados na psicologia, a consciência funciona como uma projeção de luz, ou talvez como um olhar. Ela é constituída de elementos como o direcionamento da atenção, da intencionalidade. Tais elementos interagem de maneira cíclica com o meio ambiente e com a própria mente: às vezes por ação, às vezes por reação. 

Este ciclo se estende até variadas "profundidades" do aparelho psíquico, atingindo o que as abordagens psicanalíticas chamam de inconsciente. Portanto afetam o sentimento também. Por fim, estas relações dos elementos do aparelho psíquico também interagem com o respectivo corpo. Assim, podemos considerar relações: 

Psíquica-psíquica: Da mente consigo mesma (ao pensar, lembrar) ou com outra mente (ao influenciar uma ou mais pessoas); 

Psíquica-corporal: Da mente com o próprio corpo (fatores psicossomáticos); 

Psíquica-social: Da mente com ambiente externo (interpretações de diversos elementos do ambiente etc); 

Psíquica-espiritual: Da mente com elementos pouco estudados e compreendidos, que geralmente passam pelo inconsciente (experiências transcendentais, visões e afins). Este último ainda é pouco aceito nas ciências do século XXI, mas alguns órgãos como a OMS (já mencionada anteriormente) já admite a importância da espiritualidade/ religiosidade na saúde de algumas pessoas. 

Nas teorias místicas, chakras e sefirots estão muito ligados aos sentimentos (emoções não necessariamente manifestadas no mundo físico). Eles relacionam-se com o aparelho psíquico e com o corpo físico, sendo que o aparelho psíquico existe no corpo astral, ou é sinônimo deste. Obviamente estas teorias não têm embasamento científico, mesmo porque são mais antigas do que o iluminismo europeu, e portanto, mais antigas do que chamamos de ciência. Mas mesmo nas ciências atuais, temos alguns estudos tímidos (por falta de transdisciplinaridade) sobre as relações do cérebro com outros pontos do corpo, seja com o sistema cardiovascular ou com o endócrino. (vide os estudos do Instituto Heartmath e de Srini Pillay, professor de psiquiatria da escola médica de Harvard) 

Nas teorias mais espiritualistas/ místicas, os sofrimentos podem atrair espíritos que buscam energias. Sofrimentos superficiais mas persistentes ou ampliados por desejos individualistas, egoístas, inveja e sentimentos similares podem ser destrutivos também “nestas teorias” e não apenas na psicologia cardíaca. 

Pensamentos e sentimentos, como praticamente tudo, depende de algum nível de relação. Sendo assim, podemos considerar uma pessoa demonstrando raiva, geralmente não atrai uma pessoa alegre. Atraímos o que pensamos, mas imaginar que só somos felizes com algumas determinadas coisas não atrai tal coisa. Isto ocorre porque há uma "infelicidade'' no caminho, por exemplo: “Só serei feliz quando tiver uma determinada casa”. Esta afirmação não só impõe uma condição, ela está centrada nesta condição que não é uma realidade naquele momento e que está obstruindo a felicidade. Ela também não afirma que a pessoa terá a casa, ela afirma que a felicidade só será alcançada SE aquela condição for satisfeita. A afirmação atira para o futuro, e por si só, jamais traz para o presente a “tão desejada condição”. Nas abordagens fenomenológicas da psicologia, esta condição certamente é nociva ao paciente/ cliente: É o que ele escolhe fazer com seu respectivo desejo ou dificuldade. 

*texto originalmente publicado em agosto de 2021, no blog Nea Ekklesia

sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

As relações entre Lendas, Misticismo e Religião

 

Este texto na verdade é a junção de um monte de retalhos sobre temas de teor místico-religioso do Levante (costa mediterrânea do oriente médio), da Grécia e do Egito (bem pouquinho deste último) antigos, colocados numa ordem mais ou menos coesa. Como fiz um levantamento exagerado de informações "místico-religiosas" e afins para escrever sobre um cenário de RPG, estou compartilhando algumas semelhanças que existem entre estes conteúdos...

Mitologias/ Religiões da Grécia Antiga 

Quando ouve-se falar de mitologia helênica (mitologia grega), geralmente imagina-se criaturas fantásticas e deuses intrometendo-se na vida dos mortais. Os personagens, sejam deuses ou heróis, parecem cercados de tragédias, ambições e conflitos e a versão das histórias aparenta ser uma só. Mas na verdade existem mais versões das histórias lendárias e dos deuses. Mesmo porque a Grécia antiga não era um reino único e coeso: Eram cidades-estado independentes entre si, que só se aliavam em ligas ocasionalmente, sendo unidas como um único estado somente por volta do ano de 337 aC. 

A mitologia grega como ouvimos falar com mais frequência, ou com mais facilidade, é baseada nos poemas de Homero e de Hesíodo e conta histórias (ou lendas) que fazem parte de uma possível antiga religião politeísta da Grécia Antiga. Esta versão se trata apenas da versão mais popular da cosmogonia / religião da Grécia, onde os deuses são descritos de modo similar aos humanos: Agindo principalmente por impulsos, ganância e vaidade, portanto se envolvendo em diversos conflitos entre si. 

 

Outra versão da mitologia grega é o orfismo, uma vertente mística e tradicionalmente considerada criação do rapsodo (um poeta, mais lendário do que histórico) Orfeu, portanto possivelmente mais antiga que os poemas homéricos. O orfismo mostrou elementos considerados típicos das culturas orientais como a transmigração (reencarnação) das almas, além de apresentar diferenças na genealogia dos deuses quando comparada com os poemas de Hesíodo e Homero. 

Além das duas “correntes” citadas anteriormente, surgiram as versões mais novas difundidas pelos naturalistas/ filósofos pré-socráticos e por Sócrates. Estes filósofos procuravam explicações sobre a origem das coisas e rejeitaram em grande parte a explicação cosmogônica popular da Grécia antiga. Sócrates e Platão difundiram a ideia da imortalidade da alma (possibilitando a hipótese de reencarnação) e focaram na importância do Bem. A história da Atlântida contada por Platão e por outros filósofos também possuem algumas diferenças em relação à versão popular da antiga religião / mitologia grega. 

Enfim, estas versões descritas pelos filósofos pré-socráticos e socráticos trazem algumas semelhanças com as versões “materialistas” de Evêmero e de Filo de Biblos, onde os deuses, na verdade, foram antigos governantes poderosos da humanidade.

 

Poseidon (Netuno) O deus dos oceanos é tido como o personagem primordial na história da Atlântida, ou seja, a primeira divindade mencionada. Na versão popular (de Homero e de Hesíodo) Poseidon não é um deus primordial, pois é um dos filhos de Kronus e irmão de Zeus, mas há uma vaga semelhança com as histórias da Atlântida: Conta-se que quando Urano trouxe o círculo do zodíaco (outra possibilidade seria Aeon como um personagem distinto) para governar a Terra , ele teria destronado um deus (ou casal de deuses) dos mares: Ophion e Eurynome. Estas histórias, porém, podem mostrar um conflito / disputa de versões… Em Roma, Poseidon foi considerado Netuno. Na astrologia, Netuno é considerado regente da constelação de Peixes. 

Urano (Caelus) O deus dos céus faz parte da primeira geração de deuses na versão popular da mitologia grega. Ele e seus irmãos (incluindo sua esposa Gaia, a Terra) eram filhos de Khaos (o primórdio desconhecido). Urano teve 6 filhos e 6 filhas com Gaia: Os doze titanes theoi, ou seja, os titãs (talvez tenham alguma relação com os 12 signos do zodíaco). Embora na versão popular da mitologia Urano se mostra um personagem impiedoso, na versão (materialista, semi histórica) de Filo e de Evêmero, ele se redime posteriormente, ajudando Zeus a destronar o ambicioso Kronos. Também é interessante notar que mesmo na vertente popular da mitologia, entidades (deuses?) relacionados ao oceano governavam o mundo (ou universo?) antes de Urano, como citado anteriormente. Filo de Biblos conta que alguns sacerdotes fenícios da antiguidade misturaram a história dos reis (das civilizações em torno do Mar Mediterrâneo, como o Egito, a Grécia, a Fenícia etc) com eventos da natureza, como os climáticos, astronômicos etc. Esta versão misturada da história teria se tornado popular nas cidades-estado helênicas através dos poetas Homero e Hesíodo. A adição destes elementos climáticos/ astronômicos parece nítida na história/ lenda de Urano, de Gaia e de seus filhos titãs. Em Roma, Urano foi considerado Caelus. Na astrologia, Urano é considerado regente da constelação de Aquário. 

Kronos (Saturno) Um dos filhos de Urano, Kronos é considerado o titan theoi (deus forçado, ou deus que forçou muito, deus que deformou) da agricultura e da ambição. Ele teria punido seu pai por causa da forma que o mesmo tratava Gaia (mãe de Kronos) e então tomado a liderança dos deuses. Esta punição pode parecer um mero ato de violência, mas deve representar a idéia de separação do céu e da terra num processo de gênese do mundo ou do universo. Na versão da história da Atlântida, ele teria governado metade do mundo conhecido, enquanto Atlas governava a outra metade. Ainda nesta versão, o pai de Kronos, Urano, era um grande astrônomo/ astrólogo e não o céu propriamente dito. Na versão de Filo, baseada em escritas fenícias, Kronos foi rei do Império Egípcio (e possivelmente de uma ou mais cidades cananéias) em uma antiguidade distante. Em Roma, Kronos foi considerado Saturno. Na astrologia, Saturno é considerado regente da constelação de Capricórnio. 

Hades (Plutão) ? O filho de Kronos (e irmão de Zeus) é o deus dos mortos e do submundo. Não é necessariamente maligno, mas alguns autores criaram esta imagem sombria dele, como é mencionado na obra A República de Platão. Em Roma, Hades foi considerado Plutão. Na astrologia, Plutão é regente da constelação de Escorpião. 

Zeus (Júpiter) Na versão popular da mitologia, Zeus e seus irmãos, com a ajuda de algumas outras entidades, teriam vencido os titãs liderados por Kronos na guerra chamada de titanomaquia. Apesar de receber ajuda de sua esposa Métis para derrotar Kronos, Zeus, o deus dos céus e dos raios, ao suceder o titã na liderança do panteão, ficou receoso de perder sua posição recém-conquistada e a neutralizou. Assim, posteriormente Zeus casa-se com Hera. Na história da Atlântida é mencionado que o termo Zeus vem de Zis, que teria relação com bondade, piedade e com a palavra Zen. O que faz sentido na visão de Sócrates e Platão, que negavam que os verdadeiros deuses agiam por impulsos ou por mera vaidade, pois lideravam pelo bom exemplo. Filo menciona que Zeus é na verdade um título usado por Arotrios (que tem algum equivalente cananeu/ fenício) que talvez seja Jápetus e por Adodus (oriundo do fenício, Adad ou Hadad, divindade dos raios e trovões). Assim como na versão da história da Atlântida e do everismo, Filo menciona que Zeus derrotou o tirano Kronos... Em Roma, Zeus foi considerado Júpiter. Na astrologia, Júpiter é regente da constelação de Sagitário. 

Ares (Marte) Em algumas versões, Ares, o deus das guerras, é filho de Zeus e Hera. Hera foi cultuada em Argos e algumas outras cidades gregas ao menos desde o século 8 a.C. No mito, a rainha dos deuses dá o status de guardião a Argos Panoptes (o que tudo vê, um epíteto de Hélios também), que seria o filho do 1º rei mítico da cidade. Isto indica que sua importância na religiosidade é certamente mais antiga que o séc. 8 a.C. Ares por sua vez, foi descrito por alguns autores da Grécia antiga, como o deus principal da vasta confederação Cita (atuais Ucrânia, Rússia e Cazaquistão), sob o nome de Arash. Parte dos helenos colocaram sua origem na Trácia (Romênia) e consideravam-no um deus mais selvagem do que Athena, preferindo prestar culto à esta deusa. Em Roma, Ares foi considerado Marte. Na astrologia, Marte é regente da constelação de Áries. 

Hélios (Sol) Hélios não parece desempenhar um papel proeminente nos poemas de Homero e de Hesíodo. Porém aparece em um drama mais central na história da Atlântida e o Sol é mencionado como o maior representante do bem diante a Terra por Sócrates, no texto de sua obra “A República''. Após Roma conquistar os territórios dos antigos gregos, o culto ao deus Sol foi ganhando força (possivelmente começando pelas províncias orientais do império) chegando a se tornar o principal na religião romana… Em Roma, Hélios foi considerado Sol Invictus. Na astrologia, o Sol é regente da constelação de Leão. 

Afrodite (Vênus) Afrodite é filha de Urano na versão popular dos mitos gregos. Alguns autores a comparam com a deusa fenícia Astarte, esta que, por sua vez, apresenta semelhanças com a entidade mesopotâmica Ishtar… A deusa da beleza, às vezes considerada deusa do amor, também pode ser considerada a deusa da conquista. Em Roma, Afrodite foi considerada Vênus. Na astrologia, Vênus é regente da constelação de Libra (ou de Touro conforme algumas vertentes). 

Hermes (Mercúrio) Hermes é o deus da comunicação e das mensagens. Famoso nas representações gregas por carregar o caduceu (um bastão em torno do qual se entrelaçam duas serpentes e cuja parte superior é adornada com um par de asas), ele aparece como um sábio carregando o globo terrestre nas representações herméticas. Diferente da mitologia grega popular, na genealogia fenícia apresentada por Filo, Hermes foi conselheiro de Kronos e ambos teriam vivido na época de Athena, antes de Zeus Adodus subir ao poder. Em Roma, Hermes foi considerado Mercúrio. Na astrologia, Mercúrio é regente da constelação de Gêmeos. 

Selene (Luna) Selene é a deusa da Lua e irmã de Hélios, o Sol. Ela surge na tragédia de Hélios em uma das histórias da Atlântida, mas na vertente popular da mitologia grega, parece estar associada à noite e à “paixão-louca” pelo personagem Endymion. Endymion foi um pastor ou príncipe da Anatólia que foi colocado em sono eterno nunca mais envelhecendo, tornando-se assim, disponível para Selene. Os mistérios da noite e a paixão descontrolada de Selene por Endymion, podem indicar uma relação com o conceito de "lunático". Em Roma, Selene foi considerada Luna (que significa Lua). Na astrologia, a Lua é regente da constelação de Câncer. 

Gaia (Terra) A mãe dos titãs e de outras entidades foi esposa de Urano e avó de Zeus. É a deusa da Terra, possivelmente venerada pelas oráculos nas primeiras civilizações helênicas (antes do suposto ataque dos povos do mar do século XII aC e da Era das Trevas Grega). Em Roma, Gaia foi considerada a Terra. Na astrologia, a Terra é regente da constelação de Touro conforme algumas vertentes. 

O Judaísmo Místico, o Hermetismo e suas variantes 

A árvore da vida (resumidamente) é um diagrama usado em tradições místicas como no judaísmo e no hermetismo. Ela é composta de 10 partes ou frutos, chamados de sefirotes. Estas sefirot (no singular sefirá) representam arquétipos, ou sejam, estados do todo (a partir de uma visão macrocósmica) e estados da consciência humana (numa visão microcósmica). Para descrever a criação do universo, a árvore da vida deve ser lida de cima para baixo: 

Kether - a coroa, é o potencial puro das manifestações que acontecem nas outras dimensões. Representa a própria essência, atemporal e livre. É a gênese de todas as emanações canalizadas pelas outras sefirot. Conta-se que Deus, num gesto de humildade, olhou “para baixo” (possivelmente para o vazio?) e chorou, assim criando o universo. As lágrimas pelo outro, ou pelo próximo, é o gesto de suprema bondade que transcende os ciclos de criação e destruição… Originalmente relacionada a um ponto desconhecido ou secreto do universo, com o desenvolvimento da astrologia Kether passou a ser relacionada à Netuno. 

Chokmah - Sabedoria, se situa no topo da coluna direita, o pilar da misericórdia, conhecido como Abba, o grande Pai. Chokmah é a sabedoria e a energia pura ainda não materializada tendo caráter infinitamente expansivo. É o salto quântico da intuição, que deriva as manifestações artísticas. Analogamente, é o lado direito do cérebro, onde flui a criatividade e o mundo das ideias. De acordo com o Bahir: "A segunda (expressão) é sabedoria, como está escrito: 'YHWH me adquiriu no início de seu caminho, antes de suas obras antigas' (Pv 8:22). E não há 'princípio', mas sabedoria. Originalmente relacionada ao círculo do zodíaco (possivelmente as constelações), Chokmah passou a ser relacionada à Urano, após o desenvolvimento da astrologia. 

Binah - Entendimento, situa- se no topo da coluna esquerda, o pilar da severidade, é conhecida também como Amma, a grande Mãe. Binah é o entendimento, a primeira manifestação da forma sobre a força (Chokmah). Ela fez com que a força infinita de Chokmah se tornasse limitada, e com isso, equilibrando-se reciprocamente com ele. É a lógica que dá definição à inspiração e energia ao movimento. Analogamente, é o lado esquerdo do cérebro, onde funciona a razão, organizando o pensamento em algo concreto. 

Daath - Conhecimento Os primeiros três dos dez sephiroth são os atributos do intelecto. É o conhecimento e o abismo… do pensamento. Representa uma falsa sephirat porque não é uma emanação independente como as outras dez. Ela depende de Chokmah e Binah também é considerada como a imagem de Tiphareth. A revelação ou ocultação da Luz Divina que brilha através do Da'at não acontece apenas no próprio Da'at. A percepção do brilho da Luz Divina pode ocorrer claramente também em Malkuth, todas as vezes que os humanos se entregam (Altruísmo). No entanto, os humanos que permanecem egoístas não podem vê-lo, e para eles seus benefícios parecem "ocultos".

Chesed - Misericórdia, é a primeira sefirá do atributo da ação (emoção, o ato da mente expressar-se).  Chesed é a misericórdia e representa o desejo de compartilhar incondicionalmente. O Bahir declara: "Qual é a quarta (expressão): A quarta é a justiça de Deus, Sua misericórdia e bondade para com o mundo inteiro..." Chesed manifesta o absoluto de Deus, benevolência e generosidade ilimitadas sem preconceitos, a extrema compaixão. 

Geburah ou Gevurah - Julgamento (hebraico: גבורה, lit. 'força'), é a quinta sephirat na árvore cabalística da vida, e é o segundo dos atributos emotivos das sephirot. Emoção aqui não difere de ação, pois é colocar em prática o que estava no intelecto e na dedução. Representa o desejo de contenção e de questionador de impulsos, portanto é a força e possivelmente o julgamento em um sentido mais voltado ao discernimento, capaz de gerar responsabilidade. Canaliza sua energia por meio de objetivos, com o intuito de superar obstáculos e transformar a própria natureza. 

Tiphareth - Beleza Tiphareth é a beleza. Transforma em beleza Chokmah, Binah e Kether. A sabedoria e o entendimento, com a luz do conhecimento. Representa a divisão da árvore no microcosmo, o mundo inferior, o Eu Inferior. E as quatro sephiroth acima de Tiphareth são o macrocosmo, o mundo superior, o Eu Superior, sendo Kether a centelha divina. No Bahir está escrito: "Sexto é o adornado, glorioso e encantador trono da glória, a casa do mundo vindouro. Seu lugar está gravado em sabedoria, como diz 'Deus disse: Haja luz, e houve luz.' Tiferet é a força que integra a sefirá de Chesed e Gevurah. Essas duas forças são, respectivamente, expansiva (dar) e restritiva (receber). Nenhum deles, sem o outro, não poderia manifestar o fluxo da energia Divina; eles devem ser equilibrados em proporção perfeita, equilibrando compaixão com disciplina.

Netzach - Vitória ou eternidade, está relacionada à superação e/ ou a conquista através da tolerância ou da paciência. Netzach é a energia dos sentimentos, possivelmente relacionada à música e a dança. Existe a vontade de reciprocidade, a busca pelo próximo e a superação dos próprios limites, propagando o pensamento eterno. 

Hod - o Esplendor, representa o pensamento concreto. Hod é um canal de aprimoramento interno, de identificação com o próximo, sendo uma forma de aceitação do pensamento, de reconhecimento. A visão do Judaísmo chassídico de Hod é que ele está conectado com a oração judaica, esta, por sua vez, é vista como uma forma de "submissão". Hod é onde a forma é dada pela linguagem em seu sentido mais amplo, sendo a chave para o "mistério da forma".

Yesod - É o fundamento e representa o Plano Astral. Funciona como um reservatório onde todas as inteligências emanam seus atributos que são misturados, equilibrados e preparados para a revelação material. É compilação das oito emanações (as luzes das sefirot superiores) que consequentemente são canalizadas para o Malkuth abaixo. Assim, de acordo com a Cabala Judaica, Yesod é o fundamento sobre o qual Deus construiu o mundo, servindo como um transmissor entre as sefirot “acima” e a realidade “abaixo”. Desta forma, Yesod também está associado aos órgãos sexuais. A Yesod coleta as forças vitais das sefirot acima e transmite essas energias criativas e vitais para a Malkuth abaixo que as recebe. Por sua vez, é através de Malkuth que a terra pode interagir com a divindade.

Malkhut - É o reino e representa o mundo físico, onde é revelado o material compilado das nove emanações. É o canal da manifestação, desejando a recepção das sefirotes. É a distância de Kether que provoca esse desejo, criando a sensação de falta. Ao contrário das outras nove sefirot, é um atributo de Deus que não emana de Deus diretamente, mas ela ainda está na Árvore da Vida e, portanto, tem suas próprias qualidades espirituais únicas. Em vez disso, emana da criação de Deus - quando essa criação reflete e evidencia a glória de Deus de dentro de si mesma. A palavra pode ser traduzida ou identificada como comunicação positiva, realeza / dinastia real ou humildade. Costuma-se dizer que Kether (a sephira "mais elevada") está em Malkuth e Malkuth em Kether. Como a esfera receptora de todas as outras sephiroth, Malkuth dá forma tangível às outras emanações. A energia Divina desce e encontra sua expressão neste plano, e nosso propósito como seres humanos é trazer essa energia de volta ao circuito e subir de volta na Árvore. Malkuth também está associada ao Mundo de Assiah, o plano material e o "mais denso" dos 4 "Mundos" da Cabala.

  

 

O Zodíaco - Astrologia Ocidental? 

O zodíaco representa uma grandiosidade do universo material, por ser um “círculo” composto por grupos de sistemas estelares (constelações), e portanto, na astrologia, ao interferir nas mentes dos seres vivos determinando traços de personalidade, o zodíaco representa também uma grandeza espiritual. Como regra geral da astrologia, as mentes humanas, tratadas como a ponte entre seus respectivos corpos materiais e suas almas (ou espíritos), estão sujeitas aos estímulos, ou interferências destas constelações. A teoria da interferência de corpos celestes sobre a mente ou sobre o sistema nervoso é predominantemente vista como mística, ao menos até hoje. Alguns estudiosos, como Franz Mesmer, já tentaram demonstrar uma possível interferência (especulando sobre campos magnéticos e talvez gravitacionais), mas não obtiveram sucesso entre a comunidade científica durante o século 18. 

 Então retornemos às abordagens místicas / religiosas: Alguns autores, como M Schulman, descrevem os 12 signos do zodíaco como criações de Deus. Neste caso entende-se o Deus onipresente e onipotente, não só criador e organizador do universo, como também criador das almas. Esta entidade superior aparece em diversas religiões e filosofias ao longo da história da humanidade: no hinduísmo como Brahman, no judaísmo como Yhwh, no cristianismo como Deus, na filosofia pré-socrática como Nous (a mente cósmica) etc. Mesmo em religiões politeístas, este Deus superior aparece em certas doutrinas ou “vertentes”, como no orfismo da Grécia antiga etc. A superioridade aqui refere-se a uma mente eterna com vasto conhecimento de inúmeros milênios e empatia/ solidariedade praticamente infinitas. Por fim, tanto a filosofia socrática (que possui uma dose de espiritualidade ou religiosidade, pois não quebrou completamente com a antiga religião grega), como o judaísmo místico, especulam que Deus criou o universo por partes: Sejam emanações mais abstratas como as sefirot, ou mais perceptíveis como os sistemas estelares e seus respectivos astros. É uma criação do todo, ou de uma enorme força em expansão, para partes / corpos menores. 

 
Signos - Os Aspectos Mentais do Universo 

Se as constelações têm traços mentais, elas foram identificadas por tais características. Porém os nomes pelos quais as conhecemos não parecem demonstrar tão bem personalidade, ou arquétipos psíquicos (aspectos mentais ancestrais, não estou falando necessariamente da teoria de Jung aqui)… Obviamente isso se dá pelo momento histórico, capacidade de entendimento das pessoas de determinados lugares e épocas… A classificação com maior precisão não é a mais popular onde a maioria dos signos são representados por animais: É a classificação por “elemento” e “estado”. Os 12 signos são na verdade 4 “elementos” e cada um destes elementos podem ser encontrados em 3 “estados”. Os 3 estados / fases dos 4 elementos (Composição dos signos em sequência): Cada signo é uma abreviação, ou um tipo de símbolo, que resume determinado conjunto de características. Originalmente eles têm 4 campos (chamados de elementos) e 3 estados (que também possuem um vago elo com intensidades)… Os 12 signos têm uma semelhança com o karma hindu e com o conceito espírita de que os seres vivos (principalmente o ser humano ou “vida inteligente”) recebem funções (papéis) e/ ou certos destinos no decorrer da(s) vida(s). 

Campos: 

Fogo = Refere-se ao campo das Emoções. Emoções são expressões dos sentimentos, ou seja, o que a pessoa sente e exprime de modo que possa ser notado por outros. 

Ar = Refere-se ao campo dos Pensamentos. Raciocínio, memória e tipos de conteúdo que geralmente ocupam a mente de cada pessoa; 

Água = Refere-se ao campo dos Sentimentos. Tudo que a pessoa é capaz de sentir e intuir. Crença, fé e inspiração (ou a falta destes) também fazem parte deste grupo. 

Terra = Refere-se ao campo das Atitudes. A atitude aqui significa o comportamento possivelmente relacionado ao pensamento e aplicado ao “mundo corpóreo/ material''. Também inclui jeito, postura etc. 

Estados: 

Cardeal seria o elemento conceitual ou se formando: O campo nascente, inicial. Talvez possa significar rústico e primordial também. 

Fixo seria o elemento abundante e/ ou intenso: O campo contínuo, cheio e possivelmente (ao menos em alguns casos) profundo também. 

Mutável seria o elemento se transformando ou migrando: O campo transitante, que passa da pessoa ao seu exterior, às outras pessoas. Talvez seja o que causa mudanças também. 

As combinações / resultados dos 4 elementos em suas 3 “fases” geram os 12 signos. A seguir estão os 4 elementos e seus significados (positivo, “neutro” e negativo): 

Signos referentes à ação baseada em sentimento (emoção)/ as expressões sentimentais 

Fogo Cardeal (Áries): Sincero, criativo, Direto, espontâneo, Impulsivo, violento 

Fogo Fixo (Leão): Amigo, honrado, Líder, guia, Orgulhoso, rival 

Fogo Mutável (Sagitário): Solidário, feliz, Livre, Intolerante 

Signos referentes às idéias, ao pensamento e ao raciocínio 

Ar Cardeal (Libra): Justo, empático, Social, pacato, Superficial, hesitante 

Ar Fixo (Aquário): Progressista, evolutivo, Revolucionário, Destrutivo, tumultuador 

Ar Mutável (Gêmeos): Diplomático, instrutor, Comunicativo, Ingrato, esquecido 

Signos referentes à percepção, ao sentimento e ao acreditar 

Água Cardeal (Câncer): Acolhedor, Sensível, Ressentido 

Água Fixa (Escorpião): Amoroso, profundo, Sensitivo, Rancoroso, vingativo 

Água Mutável (Peixes): Inspirador, encorajador, Vitimista, desesperado 

Signos referentes aos corpos, à vida e às expressões materiais 

Terra Cardeal (Capricórnio): Responsável, Gestor, Ganancioso, opressor 

Terra Fixa (Touro): Fiel, agradável, Perseverante, trabalhador, Possessivo, consumista 

Terra Mutável (Virgem): Humilde, reparador, Perfeccionista, Pessimista.

Como mencionei neste texto: https://nea-ekklesia.blogspot.com/2021/01/moda-uma-verdade-fabricada-ha-milenios.html, a astrologia também virou moda. O problema não é exatamente a superficialidade com que falam do assunto. O problema é charlatanismo e outras enganações realizadas por certos astrólogos. De tudo que mostrei aqui, o que importa é quem rege a personalidade,  ou seja, a pessoa. Os signos regidos pelos "astros" são simplesmente caminhos de cada pessoa para se viver O Bem (humildade, sinceridade, solidariedade etc...) Afinal, conforme o orfismo e o judaísmo, os astros como criação de Deus, mostram que esse tema "místico" não deve ser separado da espiritualidade/ religiosidade, ou do progresso do Bem. Enfim, quando se trata da criação (ou do surgimento) do cosmos, de Deus, arcanjos, e outras poderosas / grandiosas entidades mais mentais por trás dos movimentos dos corpos celestes, tudo parece bastante subjetivo. Isso se dá pelo fato de abordarmos conceitos vastos (desde sentimentos, pensamentos e expressões até a matéria) e geralmente distantes (ao menos no sentido físico, já que trata-se também de constelações e astros). Mas apesar de toda subjetividade é possível notar as semelhanças entre a mitologia / religião grega, o misticismo judaico / hermético e a astrologia ocidental.



Jesus: seriamente austero ou esperançosamente alegre?

 Após ler um texto do fundador do espiritismo, Allan Kardec, onde este analisa a obra de outro autor, chamado Renan, decidi escrever este te...