Na verdade, na verdade vos digo que tudo quanto pedirdes a meu Pai, em meu nome, ele vo-lo há de dar.
O Novo Templo da União é uma coleção de ideias e diálogos em busca da evolução espiritual e material da nossa espécie
(*) não, liberalismo não é o oposto do conservadorismo, mas não vou explicar política, economia ou sociologia neste post.
Multiplicação dos Pães (Mateus, Marcos, Lucas, João)
"Depois disto partiu Jesus para o outro lado do mar da Galiléia, para um lugar deserto, que é o de Tiberíades.
Uma grande multidão o seguia, porque via os sinais que operava sobre os enfermos e ele (Jesus) os recebeu possuído de íntima compaixão, e falava-lhes do reino de Deus, e sarava os que necessitavam de cura.
E Jesus subiu ao monte, e assentou-se ali com os seus discípulos.
A páscoa, a festa dos judeus, estava próxima. E já o dia começava a declinar; então, chegando-se a ele os doze, disseram-lhe: Despede a multidão, para que, indo aos lugares e aldeias em redor, se agasalhem, e achem o que comer; porque aqui estamos em lugar deserto.
Então Jesus, levantando os olhos, e vendo que uma grande multidão vinha ter com ele, disse a Filipe: Onde compraremos pão, para estes comerem? Mas dizia isto para o experimentar; porque ele bem sabia o que havia de fazer.
Filipe respondeu-lhe: Duzentos denários (dinheiros) de pão não lhes bastarão, para que cada um deles tome um pouco.
E um dos seus discípulos, André, irmão de Simão Pedro, disse-lhe:
Está aqui um rapaz que tem cinco pães de cevada e dois peixinhos; mas que é isto para tantos? E disse Jesus: Mandai assentar os homens. E havia muita relva naquele lugar. Assentaram-se, pois, os homens em número de quase cinco mil, além das mulheres e crianças.
Jesus tomou os pães e, havendo dado graças, repartiu-os pelos discípulos, e os discípulos pelos que estavam assentados; e igualmente também dos peixes, quanto eles queriam.
E, quando estavam saciados, disse aos seus discípulos: Recolhei os pedaços que sobejaram, para que nada se perca.
Recolheram-nos, pois, e encheram doze alcofas (cestas) de pedaços dos cinco pães de cevada, que sobejaram aos que haviam comido.
Vendo, pois, aqueles homens o milagre que Jesus tinha feito, diziam: Este é verdadeiramente o profeta que devia vir ao mundo.
Sabendo, pois, Jesus que haviam de vir arrebatá-lo, para o fazerem rei, tornou a retirar-se, ele só, para o monte."
A partilha do pão é (mais) uma amostra de que é mais importante para os seres humanos, ajudar o próximo e conviver em paz, do que possuir qualquer tipo de propriedade. Jesus realizou o milagre da multiplicação tomado por compaixão diante a enorme multidão de famintos - nem o elevadíssimo número de pessoas necessitadas o desanimou de realizar tal feito justo e benigno. A compaixão de Cristo, que é uma forma de amor, se dá em seu presente: encarnado na Terra, Jesus cuidava dos vulneráveis, sem se importar com o passado das pessoas, nem com possíveis futuros problemas. Quem entendeu o amor de Jesus, solidariza-se com aqueles que têm necessidades ou que passam por dificuldades: não deixa populações carentes de necessidades básicas, não se conformando com pessoas passando fome.
Os momentos em que Jesus retira-se em solidão certamente foram para realizar orações a Deus e realizar alguma prática como a meditação/ o recolhimento para entrar em comunhão com Deus.
Jesus anda sobre as Águas (Mateus, Marcos, João)
"Logo (Jesus) obrigou os seus discípulos a subir para o barco, e passar adiante, para o outro lado, a Betsaida, enquanto ele despedia a multidão. E, tendo-os despedido, foi ao monte a orar na solidão. Sobrevindo a tarde, estava o barco no meio do mar e ele, sozinho, em terra.
E vendo que se fatigavam a remar, porque o vento lhes era contrário, perto da quarta vigília da noite aproximou-se deles, andando sobre o mar, e queria passar-lhes adiante.
Quando eles o viram andar sobre o mar, pensaram que era um fantasma, e gritaram Porque todos o viam, e assustaram-se; mas logo (Jesus) falou com eles, e disse-lhes: Tende bom ânimo; sou eu, não temais.
Respondeu-lhe Pedro, e disse: Senhor, se és tu, manda-me ir ter contigo por cima das águas. E ele disse: Vem. Então Pedro, descendo do barco, andou sobre as águas para ir ter com Jesus. Mas, sentindo o vento forte, teve medo; e, começando a ir para o fundo, clamou, dizendo: Senhor, salva-me!
E logo Jesus, estendendo a mão, segurou-o, e disse-lhe: Homem de pouca fé, por que duvidaste?
E subiu para o barco, para estar com eles, e o vento se aquietou; e entre si ficaram muito assombrados e maravilhados; Pois não tinham compreendido o milagre dos pães; antes o seu coração estava endurecido.
E, quando já estavam no outro lado, dirigiram-se à terra de Genesaré, e ali atracaram.
Saindo eles do barco, logo o conheceram; E, correndo toda a terra em redor, começaram a trazer em leitos, aonde quer que sabiam que ele estava, os que se achavam enfermos.
Onde quer que entrava, ou em cidade, ou aldeias, ou no campo, apresentavam os enfermos nas praças, e rogavam-lhe que os deixasse tocar ao menos na orla da sua roupa; e todos os que lhe tocavam saravam."
Assim como a multiplicação dos pães, esta é uma passagem do evangelho que muitos indivíduos, principalmente ateus, devem duvidar que tenha acontecido: Não basta Jesus ter andado sobre as águas, como Mateus conta que Pedro conseguiu dar alguns passos andando sobre as águas.
Para se realizar um feito destes com a graça, ou com a mediunidade, deve-se considerar várias coisas: O quão pura e intensa deve ser a fé do indivíduo para realizar tal feito? O quão útil seria realizar tal feito? Jesus, como sempre, realiza seus “milagres” em um estado mental de grande humildade e misericórdia: Sendo Jesus o filho de Deus (o próprio para os católicos e os evangélicos, ou um espírito muito próximo de Deus para espíritas e credos semelhantes), ele conseguiria realizar tais feitos que seriam dificílimos ou "impossíveis" para a maioria das pessoas. Talvez Pedro fosse o apóstolo que em momentos de grande fé e fervor, conseguisse realizar coisas vagamente parecidas. Mas o espiritismo explica que o médium é intermediário entre a Terra e o mundo dos espíritos. Que espírito de acordo com esta filosofia, acharia útil ou importante Pedro andar sobre as águas? Não importa. Porém quem concede a graça (ou a “mediunidade”) à Jesus é O próprio Deus.
Independente se Jesus é Deus ou o mais elevado espírito e mais próximo de Deus, este fato não deve ser desculpa para cristãos se afastarem ou desistirem de seus ensinamentos: O próprio Jesus fala para as pessoas: vós sois deuses, indicando que todos podem e devem ser como ele. E também ocasionalmente avisa seus discípulos para que estes tenham mais fé! De acordo com suas palavras, se tivessem mais fé, realizariam os "milagres" ou "feitos mediúnicos" sem dificuldades!
Discurso de Jesus sobre o pão da vida (João)
"No dia seguinte, a multidão que estava do outro lado do mar, vendo que não havia ali mais do que um barquinho, a não ser aquele no qual os discípulos haviam entrado, e que Jesus não entrara com os seus discípulos naquele barquinho, mas que os seus discípulos tinham ido sozinhos (Contudo, outros barquinhos tinham chegado de Tiberíades, perto do lugar onde comeram o pão, havendo o Senhor dado graças).
Vendo, pois, a multidão que Jesus não estava ali nem os seus discípulos, entraram eles também nos barcos, e foram a Cafarnaum, em busca de Jesus. E, achando-o no outro lado do mar, disseram-lhe: Rabi, quando chegaste aqui?
Jesus respondeu-lhes e disse: Na verdade, na verdade vos digo que me buscais, não pelos sinais que vistes, mas porque comestes do pão e vos saciastes. Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do homem vos dará; porque a este o Pai, Deus, o selou.
Disseram-lhe, pois: Que faremos para executarmos as obras de Deus?
Jesus respondeu, e disse-lhes: A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou.
Disseram-lhe, pois: Que sinal, pois, fazes tu, para que o vejamos, e creiamos em ti? Que operas tu? Nossos pais comeram o maná no deserto, como está escrito: Deu-lhes a comer o pão do céu.
Disse-lhes, pois, Jesus: Na verdade, na verdade vos digo: Moisés não vos deu o pão do céu; mas meu Pai vos dá o verdadeiro pão do céu. Porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo.
Disseram-lhe, pois: Senhor, dá-nos sempre desse pão.
E Jesus lhes disse: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome, e quem crê em mim nunca terá sede. Mas já vos disse que também vós me vistes, e contudo não credes. Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora. Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. E a vontade do Pai que me enviou é esta: Que nenhum de todos aqueles que me deu se perca, mas que o ressuscite no último dia. Porquanto a vontade daquele que me enviou é esta: Que todo aquele que vê o Filho, e crê nele, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia.
Murmuravam, pois, dele os judeus, porque dissera: Eu sou o pão que desceu do céu. E diziam: Não é este Jesus, o filho de José, cujo pai e mãe nós conhecemos? Como, pois, diz ele: Desci do céu?
Respondeu, pois, Jesus, e disse-lhes: Não murmureis entre vós. Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia. Está escrito nos profetas: E serão todos ensinados por Deus. Portanto, todo aquele que do Pai ouviu e aprendeu vem a mim. Não que alguém visse ao Pai, a não ser aquele que é de Deus; este tem visto ao Pai.
Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim tem a vida eterna. Eu sou o pão da vida. Vossos pais comeram o maná no deserto, e morreram. Este é o pão que desce do céu, para que o que dele comer não morra. Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo.
Disputavam, pois, os judeus entre si, dizendo: Como nos pode dar este a sua carne a comer?
Jesus, pois, lhes disse: Na verdade, na verdade vos digo que, se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim, quem de mim se alimenta, também viverá por mim. Este é o pão que desceu do céu; não é o caso de vossos pais, que comeram o maná e morreram; quem comer este pão viverá para sempre.
Ele disse estas coisas na sinagoga, ensinando em Cafarnaum. Muitos, pois, dos seus discípulos, ouvindo isto, disseram: Duro é este discurso; quem o pode ouvir? Sabendo, pois, Jesus em si mesmo que os seus discípulos murmuravam disto, disse-lhes: Isto escandaliza-vos? Que seria, pois, se vísseis subir o Filho do homem para onde primeiro estava? O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos digo são espírito e vida. Mas há alguns de vós que não crêem.
Porque bem sabia Jesus, desde o princípio, quem eram os que não criam (acreditavam), e quem era o que o havia de entregar. E dizia: Por isso eu vos disse que ninguém pode vir a mim, se por meu Pai não lhe for concedido. Desde então muitos dos seus discípulos tornaram para trás, e já não andavam com ele. Então disse Jesus aos doze: Quereis vós também retirar-vos?
Respondeu-lhe, pois, Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna. E nós temos crido e conhecido que tu és o Cristo, o Filho do Deus vivente.
Respondeu-lhe Jesus: Não vos escolhi a vós os doze? e um de vós é um diabo. E isto dizia ele de Judas Iscariotes, filho de Simão; porque este o havia de entregar, sendo um dos doze."
Quando Jesus diz “Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do homem vos dará; porque a este o Pai, Deus, o selou.” ele se quer dizer que trabalhar o bem (humildade, serenidade, sinceridade, paciência, força de vontade, misericórdia etc) de coração, para a alma/ o espírito e sua imortalidade é mais importante do que simplesmente trabalhar pela sobrevivência na Terra. Porém esse trabalho espiritual é feito valorizando o próximo na Terra e o próximo é todo e qualquer um que se encontre, seja conhecido ou desconhecido, por isso esse trabalho espiritual não deve deixar de valorizar a vida coletiva. Não se alcança o reino dos céus sem praticar os ensinamentos de Jesus: ser humilde como as crianças, vigiar a si mesmo para não cair no orgulho, na ganância e na ira e perdoar e ajudar os outros, principalmente os mais necessitados. Também é importante ressaltar que na frase “E a vontade do Pai que me enviou é esta: Que nenhum de todos aqueles que me deu se perca”, fica claro que Deus é piedoso e esperançoso, pois quer salvar a todos. Isto é reforçado também quando ele diz nesta passagem: E serão todos ensinados por Deus.
Se alimentar da carne e do sangue de Jesus, significa se alimentar de seus ensinamentos / praticá-los: Os ensinamentos mais objetivos (externos, sociais) que é perdoar o próximo em seus atos, ser solidário etc; e os mais subjetivos (internos, individual) que trata-se de não desejar o mal de outrem, esforçar-se para perdoar, autocontrolar seus pensamentos e sentimentos. Estes dois ensinamentos são recíprocos e interligados: ninguém é verdadeiramente humilde se trata determinadas pessoas com respeito e trata outras pessoas com desprezo, violência ou qualquer outra atitude contrária ao respeito. Ninguém é verdadeiramente solidário se ajuda somente alguns indivíduos ou grupos, enquanto odeia ou despreza outras pessoas e povos...
Jesus transmite o bem e a verdade, pois sua palavra é espírito! A lei divina é de amar ao próximo como a si mesmo e amar a Deus. Amar o próximo é conviver em paz, partilhando tudo com humildade, amizade e esperança coletiva.
Quando Jesus diz: “Que seria, pois, se vísseis subir o Filho do homem para onde primeiro estava? O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos digo são espírito e vida.” ele explica que a vida espiritual vai além (antes e depois) da material/ "encarnada"; Pois esta vida (material/ encarnada) é
passageira e existe para se propagar o amor de Deus. Por isso Jesus ensinou que praticar o bem e obedecer a lei divina de amor são coisas mais importantes do que se preocupar com a própria vida encarnada. Assim, ao questionar a reação de seus apóstolos, Jesus indica que "onde primeiro estava" é uma realidade diferente da vida corporal/ material, certamente espiritual.
Discussão com fariseus (Tomé, Marcos, Mateus)
"Então chegaram ao pé de Jesus uns escribas e fariseus de Jerusalém, dizendo:
Por que transgridem os teus discípulos a tradição dos anciãos? pois não lavam as mãos quando comem pão.
Ele, porém, respondendo, disse-lhes: Por que transgredis vós, também, o mandamento de Deus pela vossa tradição?
Deus ordenou, dizendo: Honra a teu pai e a tua mãe; e: Quem maldisser ao pai ou à mãe, certamente morrerá. Mas vós dizeis: Qualquer que disser ao pai ou à mãe: É oferta ao Senhor o que poderias aproveitar de mim; esse não precisa honrar nem a seu pai nem a sua mãe, E assim invalidastes, pela vossa tradição, o mandamento de Deus.
Hipócritas, bem profetizou Isaías a vosso respeito, dizendo: Este povo se aproxima de mim com a sua boca e me honra com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim. (Isaías 29 - 13) Mas, em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos dos homens.
E, chamando a multidão para si, disse-lhes: Ouvi, e entendei: O que contamina o homem não é o que entra na boca, mas o que sai da boca, isso é o que contamina o homem.
Então, acercando-se dele os seus discípulos, disseram-lhe: Sabes que os fariseus, ouvindo essas palavras, se escandalizaram?
Ele, porém, respondendo, disse: Ai dos fariseus, porque eles são como um cão que dorme na manjedoura dos bois, pois ele não come nem deixa os bois comerem. Toda a planta, que meu Pai celestial não plantou, será arrancada. Deixai-os; são cegos condutores de cegos. Ora, se um cego guiar outro cego, ambos cairão na cova.
E Pedro, tomando a palavra, disse-lhe: Explica-nos essa parábola.
Jesus, porém, disse: Até vós mesmos estais ainda sem entender? Ainda não compreendeis que tudo o que entra pela boca desce para o ventre, e é lançado fora? Mas, o que sai da boca, procede do coração, e isso contamina o homem.
Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, fornicação, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias. São estas coisas que contaminam o homem; mas comer sem lavar as mãos, isso não contamina o homem."
Esta é a passagem onde Jesus confirma que nenhum ritual ou rito, seja "liturgia" ou "magística", é mais importante do que praticar o bem nos atos, nas palavras, nos pensamentos e nos sentimentos. As maldades não entram pela boca da pessoa - elas surgem e/ ou permanecem no interior (alma, mente) da pessoa tomada por sentimentos e/ ou pensamentos maldosos, egoístas e similares. Portanto praticar uma purificação física, como lavar as mãos, as louças, jarros e talheres, é insignificante se a pessoa não pratica o bem. As palavras mostram o que a pessoa pensa e guarda de sentimento: Se uma pessoa espalha mentiras sobre outras, ou se faz falsas acusações por exemplo, ela está praticando o mal, portanto, está contrariando os ensinamentos de Jesus. Toda fala e argumento usado para beneficiar a si mesmo prejudicando outros, é contrário aos ensinamentos de Jesus.
Esta questão do coração e dos pensamentos trazida por Jesus, é o tema da interiorização do bem, bastante abordado por Sócrates e Platão: Os filósofos explicavam que era importante tornar o desejo correto (orthos eros), unindo o elemento sentimental/ emocional ("thymous") que é o intermediário da alma (da psiquê) ao elemento superior, à razão capaz de buscar o bem, a justiça, a moderação e a coragem. Assim se busca o que é uno, ou seja, universal, imutável, o que não pode ser relativizado nem iludido. O bem (kalos) é o valor universal, que deve ser inferido nos sentimentos/ emoções, na razão e enfim, na alma, para servir a todos, para o bem do coletivo.
Execução de João Batista (Mateus, Marcos, Lucas)
"Naquele tempo ouviu Herodes, o tetrarca, a fama de Jesus, e disse aos seus criados: Este é João o Batista; ressuscitou dos mortos, e por isso estas maravilhas operam nele.
Herodes tinha prendido João, e tinha-o maniatado e encerrado no cárcere, por causa de Herodias, mulher de seu irmão Filipe; Porque João lhe dissera: "Não te é lícito possuí-la."
E, querendo matá-lo, temia o povo; porque o tinham como profeta.
Festejando-se, porém, o dia natalício de Herodes, dançou a filha de Herodias diante dele. Isto agradou a Herodes e por isso ele prometeu, com juramento, dar-lhe tudo o que pedisse;
Ela, instruída previamente por sua mãe, disse: Dá-me aqui, num prato, a cabeça de João o Batista. E o rei afligiu-se, mas, por causa do juramento, e dos que estavam à mesa com ele, ordenou que se lhe desse.
Mandou degolar João no cárcere. E a sua cabeça foi trazida num prato, e dada à jovem, e ela a levou a sua mãe.
Então chegaram os seus discípulos, e levaram o corpo, e o sepultaram; e foram anunciá-lo a Jesus."
João Batista, como devoto de Deus e de seus ensinamentos, manteve-se firme até o final de sua vida terrestre, sem temer a violência dos poderosos que o odiavam.O tetrarca Herodes, por sua vez, mostrou-se um covarde entre uma corte de gananciosos, interesseiros e sádicos: Ele havia ordenado a prisão de João Batista, mas poupava sua vida porque sabia que o profeta tinha muitos admiradores/ fiéis. Eis então que o tetrarca ficou aflito quando a mulher que lhe despertou interesse pediu a cabeça de João Batista. Mais uma vez, Herodes toma uma decisão covarde e ordena a execução do profeta. Esta passagem mostra o quão mesquinha e violenta eram as classes dominantes da Judéia e do Império romano durante o século 1. Além de deixarem-se levar por desejos e por impulsos de violência, muitas vezes faziam isto abertamente, ou seja, não procuravam nem ocultar seus crimes. Infelizmente, muitas destas atitudes perduram até este século 21, devido a falta da aplicação e da prática da lei divina, que é de amor. Sem a lei divina de amor, a humanidade tomada por intensos desejos materiais, rivalidade e insensibilidade para com os outros, se afundaria em ações violentas e crescentes conflitos… Portanto humildade, solidariedade e esperança não são sinais de fraqueza, nem de ingenuidade - são condições essenciais de vida que todo ser humano deve buscar desenvolver.
Muitas pessoas podem pensar que o amor é muito subjetivo ou relativo, mas Jesus não foi o único a ensinar sobre a importância deste sentimento e de como vivê-lo. O filósofo grego, Platão, apesar de parecer muito mais racionalista do que Jesus, também ensinava sobre o amor, ainda que não utilizasse exatamente esta palavra em seus textos onde registrou os diálogos de seu mestre Sócrates. Na obra o Simpósio (ou o Banquete), Platão indica que o desejo correto (orthos eros) deve evoluir para além do desejo do amor sensual que é limitado aos sentidos e a beleza meramente física/ corporal. O desejo deve ser direcionado à psiquê (palavra que abrange mente e alma) das pessoas e então deve ser expandido para todas as psiquês e para tudo que faz bem para todas as psiquês (as leis e obras que fazem bem a todas mentes/ almas). No diálogo Fedro, tratando mais a relação do desejo com os estados alterados da psique, o autor indica que o amor é chamado de "O Alado", por permitir que a pessoa alcance o "céu além" (hiper ouranos), a morada divina, onde as virtudes como temperança e justiça irradiam fulgor. A beleza mais sublime então está relacionada à psiquê/ alma, mas não é algo meramente subjetivo, muito menos alienante, pois relaciona-se com os resultados das intenções, decisões e ações humanas. Por isso, em sua obra "A República", Platão trata da relação da ideia (eidos) do bem e do belo (kalos) com o governo e as relações humanas nas Pólis (cidades estado). Este é o desejo pelo bem de todos que equivale ao amor ensinado por Jesus.
O Joio - Legendas: Tomé (ciano), Mateus (azul)
"Propôs-lhes outra parábola, dizendo: O reino dos céus é semelhante ao homem que semeia a boa semente no seu campo; Mas, dormindo os homens, veio o seu inimigo, e semeou joio no meio do trigo, e retirou-se. E, quando a erva cresceu e frutificou, apareceu também o joio.
E os servos do pai de família, indo ter com ele, disseram-lhe: Senhor, não semeaste tu, no teu campo, boa semente? Por que tem, então, joio?
E ele lhes disse: Um inimigo é quem fez isso. E os servos lhe disseram: Queres pois que vamos arrancá-lo?
Ele, porém, lhes disse: Não; para que, ao colher o joio, não arranqueis também o trigo com ele. Receio que você vá com a intenção de arrancar o joio e arrancar o trigo junto com ele.
Deixai crescer ambos juntos até à ceifa; Pois no dia da colheita o joio ficará bem visível, e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros: Colhei primeiro o joio, e atai-o em molhos para o queimar; mas, o trigo, ajuntai-o no meu celeiro."
Os motivos pelos quais Jesus utilizou parábolas em seus ensinamentos parecem pouco claros ainda hoje, neste início de século 21. Embora o espiritismo indique que a maior parte do povo não estava pronta para entender Jesus durante o século 1, é possível que ele tenha propagado parte de seus ensinamentos através de parábolas para esconder de alguns indivíduos mais aversivos ou contrários à lei divina de amor. Mas como certamente seus ensinamentos não eram exclusivos para seus apóstolos, Jesus deve ter utilizado uma linguagem acessível às baixas classes sociais (pobres, desabrigados etc) da Galiléia do século 1, pois grande parte da população era composta de agricultores, pastores e artesãos.
Assim, nesta parábola do joio, pode-se entender que o reino dos céus é o que fomenta o bem na Terra, ou seja, a lei divina de amor e os ensinamentos de Jesus. Esta lei e ensinamentos são comparados com as boas sementes que geram o trigo, o alimento do ser humano. O joio, por sua vez, é danoso, geralmente infectado por fungos tóxicos, por isso Jesus utiliza a representação desta planta que se assemelha ao trigo antes de se tornar madura, como se fosse os inimigos do amor esperançoso, da solidariedade e da humildade. Estes inimigos se misturam com as pessoas boas, e às vezes, eliminá-los pode atingir um ou outro inocente.
Em casos onde pessoas boas estão sob o jugo de um líder poderoso e mau (egoísta, ganancioso e/ ou cruel etc), devemos simplesmente evitar imitar as ações dos inimigos e aguardar pelo momento possível para se fazer o bem. As ações que não devemos imitar (de "inimigos" ou de líderes "maus") geralmente são acusações sem embasamento, mentiras interesseiras, discursos de intolerância, agressões etc.
Os casos onde pessoas boas ou inocentes acabam se envolvendo com inimigos, podem ter variados motivos: porque foram enganados ou porque têm laços familiares, ou devido a qualquer outra causa. Nestes casos, quando não for possível proteger ou resgatar o inocente, é necessário paciência para aguardar os resultados das ações de cada um, afinal cedo ou tarde o mal (o inimigo, o erro) fica evidente. Ao ficar evidente ele pode ser separado do bem e cada um deverá receber seu destino mais adequado.
É importante relembrar 2 pontos referentes a esta passagem:
O primeiro é que Jesus ensina que na hora da condenação, nem seu Pai (Deus) julga; é o malfeitor (pecador etc) que não vai à luz, pois tem vergonha de sua obra e foge para as trevas. Isso é um tema central nos ensinamentos de Jesus: o perdão, que ele menciona em várias outras passagens.
O segundo é que a lei divina não requer que o bem se auto destrua, nem que permita a propagação da maldade, pois Jesus criticou os religiosos corruptos e defendeu os pobres e os necessitados. O joio deixa de ser parecido com o trigo quando amadurece, ou seja, é neste ponto que ele é separado do trigo - separa-se o mal do bem pelas ações que transparecem nas relações! Jesus não julga os outros sem observar suas ações antes e por isso não deve ter julgado nem mesmo Herodes até ele mostrar sua extrema covardia e egoísmo ao matar João Batista para possuir a filha de Herodias. Naquele momento em diante ficou claro publicamente que Herodes era egoísta e cruel: ao assassinar uma pessoa admirada por lutar pelo povo humilde, denunciando religiosos manipuladores (fariseus, saduceus etc) e líderes opressores (centuriões romanos etc).
Chico Xavier é um médium bastante admirado no meio espírita brasileiro em geral. Porém eu concordo com uma interpretação comum entre os espíritas progressistas: Que ele fez boas obras e más obras - Chico Xavier foi humano, ora acertando e ora errando. Particularmente comecei a entender suas obras deste modo após duas experiências que eu tive por volta do ano de 2020. Estas experiências consideradas como mediúnicas devem ter algum valor para os meios que as aceitam, como o espiritismo, a umbanda (etc)... Porém, além da experiência mediúnica eu busquei analisar o conteúdo das obras também.
Venerar este médium (Chico) como se ele fosse um santo que só trouxe belas verdades indiscutíveis é uma ingenuidade. O próprio Kardec, ao fundar o espiritismo, afirmava que era preciso uma análise crítica das mensagens recebidas através dos espíritos. Esta crítica de Kardec não era simples negação das mensagens e sim uma verificação para entender se o conteúdo de tais mensagens estavam de acordo com os precursores do espiritismo, como Jesus Cristo, Platão e Sócrates (embora estes 2 últimos raramente sejam mencionados pela maioria espírita no Brasil).
Particularmente lembro-me de 2 textos psicografados por Chico. O 1º que eu esqueci o título, trazia severas críticas e acusações ao fundador da ordem dos jesuítas (Iñigo López de Oñaz y Loyola 1491-1556, traduzido como Inácio de Loyola) e veneração pelo fundador do protestantismo (Martin Luther 1483-1546, traduzido como Martinho Lutero). Uma interpretação exagerada da história por si só, pois não acho que algum destes 2 personagens tenha sido um santo perfeito - apenas foram humanos no centro de um momento decisivo (e talvez cheios de polêmicas) da história do ocidente: A reforma, ou divisão, da igreja católica que era poderosíssima até então durante o século 15.
Porém, além deste fato, durante a leitura, uma nítida presença horrível (sentimentos ruins diferentes dos meus naquele momento, como uma outra mente que entendo que seja [de] algum espírito) tentou a me induzir a continuar lendo. Diante o fato, interrompi a leitura e considerei uma obra ruim. Afirmo que esta presença foi nítida por se tratar de algo tão real ou mais real do que a realidade que me cerca. Sei que este tipo de relato, de descrever fenômenos "mais reais do que reais", existe em outras experiências pouco aceitas pela ciência tradicional, como por exemplo, em caso de uso de substâncias psicodélicas/ enteógenas. Não há outra forma de descrever o fenômeno que presenciei ao ler tal obra.
Mesmo se eu ignorasse o fenômeno incomum, o próprio conteúdo do texto, indica que Chico Xavier cometeu um equívoco aqui: No histórico conflito entre protestantes e jesuítas não houve um lado angelical contra um lado demoníaco. Embora Lutero certamente teve mais relevância do que Loyola na história da alternância de poder no ocidente, ambos os lados deixaram entre seus seguidores, personagens bons e ruins.
Martinho Lutero não foi o primeiro a enfrentar a igreja católica: Jan Hus (1375-1415) foi um personagem tão importante quanto Lutero em questionar os poderosos na Europa, enfrentando tanto a igreja católica como o imperador germânico. Além de Hus, alguns dos filósofos platônicos como Giovanni Pico (1463-1494), também questionaram o poder da Igreja e seu autoritarismo. Não estou afirmando que Lutero foi insignificante: longe disto, mas pretender colocá-lo como um oposto à Loyola, alegando que o segundo agiu de acordo com "forças do mal", é um exagero, pois o processo histórico é gradual e cheio de desdobramentos. Lutero e os protestantes definitivamente diminuíram o poder absurdo predominante entre o alto clero católico na Europa abrindo caminhos para a religiosidade ocidental e possivelmente a criação da ordem dos jesuítas teve intenções de manipular e reganhar poder para a igreja católica. Porém qualquer um que estude a história da colonização da América, perceberá que alguns jesuítas defenderam a vida de comunidades ameríndias inteiras diante escravagistas como os encomederos espanhóis e os bandeirantes portugueses. Além disto há quem diga que Lutero teve alguma responsabilidade sobre a guerra dos camponeses e seu trágico desfecho que seguiu após a propagação de suas obras. Há indivíduos bons e ruins em ambos os lados e idolatrar ou demonizar qualquer um destes personagens é fomentar divisão e prolongar rixas que já deveriam ter acabado há séculos.
O 2º texto do famoso autor espírita não me trouxe alegria e paz de espírito, mas me pareceu mais coerente e também me causou uma experiência mediúnica mais sutil: Uma sensibilidade seguida por uma emoção difícil de explicar - um tipo de tristeza, mas acompanhada de uma forte intuição de que há uma verdade na mensagem escrita pelo médium. Segue o texto:
O enigma da obsessão
"Comentávamos em círculo íntimo o inquietante enigma da obsessão na Terra, alinhando observações e apontamentos. Por que motivo se empenham criaturas encarnadas e desencarnadas em terríveis duelos no santuário mental? Que a vítima arrancada ao corpo, em delito recente, prossiga imantada ao criminoso, quando a treva da ignorância lhe situa o espírito a distância do perdão, é compreensível, mas como interpretar os processos de metodizada perseguição no tempo? Como entender o ódio de certas entidades, em torno de crianças e jovens, de enfermos e velhinhos? Por que a ofensiva persistente dos gênios perversos, através de reencarnações numerosas e incessantes? No mundo, os assalariados do mal comprometem-se ao redor de escuros objetivos... Há quem se renda às tentações do dinheiro, do poder político, das honras sociais e dos prazeres subalternos, mas em derredor de que razões lutam as almas desenfaixadas da carne se para elas semelhantes valores convencionais de posse não mais existem?
Longa série de “porquês” empolgava-nos a imaginação, quando Menés, otimista ancião do nosso grupo, à maneira de carinhoso avô, falou bem humorado: – A propósito do assunto, contarei a vocês um apólogo que nos pode conferir alguma idéia acerca do nosso imenso atraso moral. E, tranqüila, narrou: – Em épocas recuadas, numa cidade que os séculos já consumiram, os bois sentiram que também eram criaturas feitas por nosso Pai Celestial, não obstante inferiores aos homens. Sentindo essa verdade, começaram a observar a crueldade com que eram tratados. O homem que, pela coroa de inteligência, devia protegê-los e educá-los, deles se valia para ingratos serviços de tração, sob golpes sucessivos de aguilhões e azorragues. Não se contentando com essa forma de exploração, escravizava-lhes as companheiras, furtando-lhes o leite dos próprios filhos, reservando-lhes à família e a eles próprios horrível destino no açougue, Se alguns deles hesitavam no trabalho comum, sofrendo com a tuberculose ou com a hepatite, eram, de pronto, encaminhados à morte e ninguém lhes respeitava o martírio final. Muitas pessoas compravam-lhes as vísceras cadavéricas ainda quentes, tostando-as ao fogo para churrascos alegres, enquanto outras lhes mergulhavam os pedaços sangrentos em panelas com água temperada, convertendo-os em saborosos quitutes para bocas famintas. Não conseguiam nem mesmo o direito à paz do túmulo, porque eram sepultados, aqui e ali, em estômagos malcheirosos e insaciáveis. Apesar de trabalharem exaustivamente para o homem, não conseguiam a mínima recompensa, de vez que, depois de abatidos, eram despojados dos próprios chifres e dos próprios ossos, para fortalecimento da indústria... Magoados e aflitos, começaram a reclamar; contudo, os homens, embora portadores de belas virtudes potenciais, receavam viver sem o cativeiro dos bois. Como enfrentarem, sozinhos, as duras tarefas do arado? Como sustentarem a casa sem o leite? Como garantirem a tranqüilidade do corpo sem a carne confortadora dos seres bovinos? O petitório era simpático, mas os bichos se mostravam tão nédios e tão tentadores que ninguém se arriscava à solução do problema. Depois de numerosas súplicas sem resposta, as vítimas da voracidade humana recorreram aos juízes; entretanto, os magistrados igualmente cultivavam a paixão do bife e do chouriço e não sabiam servir à Justiça, sem as utilidades do leite e do couro dos animais. Assim, o impasse permaneceu sem alteração e qualquer touro mais arrojado que se referisse ao assunto, a destacar-se da subserviência em que se mantinha o rebanho, era apedrejado, espancado e conduzido, irremediavelmente, ao matadouro... O venerável amigo fez longa pausa e acrescentou: – Essa é a luta multissecular entre encarnados e desencarnados que se devotam ao vampirismo. Sem qualquer habilitação para a vida normal, fora do vaso físico, temem a grandeza do Universo e recuam apavorados, ante a glória do Espaço Infinito, procurando a intimidade com os irmãos ainda envolvidos na carne, cujas energias lhes constituem precioso alimento à ilusão. E desse modo que as enfermidades do corpo e da alma se espalham nos mais diversos climas. Os homens, que se julgam distantes da harmonia orgânica sem o sacrifício dos animais, são defrontados por gênios invisíveis que se acreditam incapazes de viver sem o concurso deles. O enigma da obsessão, no fundo, é problema educativo. Quando o homem cumprir em si mesmo as leis superiores da bondade a que teoricamente se afeiçoa, deixará de ser um flagelo para a Natureza, convertendo-se num exemplo de sublimação para as entidades inferiores que o procuram... Então, a consciência particular inflamar-se-á na luz da consciência cósmica e os tristes espetáculos da obsessão recíproca desaparecerão da Terra... Até lá – concluiu, sorrindo –, reclamar contra a atuação dos Espíritos delinqüentes, conservando em si mesmo qualidades talvez piores que as deles, é arriscar-se, como os bois, à desilusão e ao espancamento. O ímã que atrai o ferro não atrai a luz. Quem devora os animais, incorporando-lhes as propriedades ao patrimônio orgânico, deve ser apetitosa presa dos seres que se animalizam. Os semelhantes procuram os semelhantes. Esta é a Lei. Afastou-se Menés, com a serenidade sorridente dos sábios, e a nossa assembléia, dantes excitada e falastrona, calou-se, de repente, a fim de pensar."
O texto não afirma que a conversa tenha realmente ocorrido em nossa história no planeta Terra. Mas seu conteúdo praticamente converge um espiritual com um saber científico. Claro, tal convergência pode ser inaceitável tanto para cientistas que negam toda a realidade espiritual como para religiosos anti-científicos. Porém a indústria agropecuária é obviamente desalinhada com a natureza da Terra, pois ela é formada por pequenos grupos de seres humanos buscando acumular uma invenção humana chamada dinheiro, destruindo vários hectares de terra com seus respectivos biomas naturais para forçar a procriação de uma enorme quantidade de gado e poucas outras espécies de animais "domesticados". Estes animais forçados a procriar, são alimentados com produtos modificados geneticamente, com o objetivo exclusivo de se tornarem produtos para consumo humano. Tal consumo não é feito por causa da importância dos nutrientes da carne ou do leite de tais animais e sim porque os agropecuaristas querem enriquecer e os consumidores acham o produto saboroso, ambos ignorando o quanto isto devasta os biomas da Terra. Estes são os fatos científicos.
O saber religioso aqui escrito por Chico Xavier é o elemento espiritual do texto: Tudo é naturalmente gradual tanto nas leis espirituais como nas leis naturais, porque estas leis não estão totalmente separadas entre si; Na verdade elas se conectam pois são a mesma em níveis diferentes. Sócrates, Platão (no diálogo/ texto Górgias) e Kardec já afirmavam esta conexão entre lei natural e lei divina. Certamente os hindus têm algum entendimento disto também, já que consideram a "vaca como um animal sagrado". Sendo toda a lei gradual, a formação e a evolução dos espíritos também é. Forçar a reprodução de milhões de bovídeos tem seu impacto no fluxo espiritual: é uma consequência lógica. Os ateus e crentes de religiões que ignoram a vida animal podem viver sem entender isto, mas espíritas, umbandistas e hinduístas deveriam no ao menos considerar tal explicação espiritual.
Após ler um texto do fundador do espiritismo, Allan Kardec, onde este analisa a obra de outro autor, chamado Renan, decidi escrever este te...