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sábado, 9 de novembro de 2024

Leitura filosófica sobre "A cananéia" e "Maria e Marta"

A mulher pagã / a cananéia (Marcos, Mateus) 

"Partindo Jesus dali, foi para as partes de Tiro e de Sidom. 

E eis que uma mulher cananéia, que saíra daquelas cercanias, clamou, dizendo: Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de mim, que minha filha está miseravelmente endemoniada. 

Mas ele não lhe respondeu palavra. E os seus discípulos, chegando ao pé dele, rogaram-lhe, dizendo: Despede-a, que vem gritando atrás de nós. 

E ele, respondendo, disse: Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel. 

Então chegou ela, e adorou-o, dizendo: Senhor, socorre-me! 

Ele, porém, respondendo, disse: Não é bom pegar o pão dos filhos e deitá-lo aos cachorrinhos. 

E ela disse: Sim, Senhor, mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus senhores. 

Então respondeu Jesus, e disse-lhe: Ó mulher, grande é a tua fé! Seja isso feito para contigo como tu desejas. E desde aquela hora a sua filha ficou sã."

Talvez esta passagem seja considerada estranha para os tempos atuais: Primeiramente por cananéia deve se entender uma pessoa descendente deste povo (da antiga Canaã); Na época de Jesus, o Império Romano já tinha tomado os territórios dos descendentes desses cananeus (Fenícia/ K'nan e Cartago). 

A partir daí entende-se que Jesus questionou a mulher para prová-la, como em uma linguagem popular de sua época, onde os povos judeus chamavam os pagãos de cachorros. Talvez porque os judeus em algum momento da história antiga entenderam que os pagãos, politeístas em sua maioria, estavam tomados pela ganância e pela rivalidade bélica sendo fascinados pelas coisas da Terra (fortunas, prazeres sensoriais etc). Por causa disto as civilizações dos impérios mesopotâmicos, fenícios, egípcios e hititas que cercaram os povos hebreus e judeus ao longo da antiguidade jamais se interessariam por Deus, afinal os hebreus da época de Abrãao e de Moisés, eram tribos humildes, que não construíam monumentos e mal formavam exércitos. 

Jesus certamente não tinha preconceito, mas quis saber como a mulher, de uma cultura politeísta que predominantemente ignorava Deus e a religião abraâmica, reagiria quando ele se mostrasse de um fé monoteísta, diferente dos descendentes dos cananeus. Assim, quando a mulher disse que os cachorrinhos também se alimentavam do resto dos outros, ela mostrou-se humildemente digna e acabou recebendo a ajuda de Jesus. 

Isto também mostra a importância das decisões que não devem ficar só no discurso/ nas aparências, mas também devem ser vividas internamente pelas pessoas, de coração: A cananéia apesar de pertencer a uma crença diferente de Jesus, não se ofendeu em momento algum e ainda alegou humildemente que ela, como qualquer outra pessoa de sua cultura ("os cachorrinhos") precisavam de ajuda - seja esta ajuda um auxílio vindo de Jesus, de sua fé, de seus discípulos ou de Deus.

Maria e Marta (Lucas) 

"Aconteceu que, indo eles de caminho, entrou Jesus numa aldeia; e certa mulher, por nome Marta, o recebeu em sua casa; E tinha esta uma irmã chamada Maria, a qual, assentando-se também aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra. 

Marta, porém, andava distraída em muitos serviços; e, aproximando-se, disse: Senhor, não se te dá de que minha irmã me deixe servir só? Dize-lhe que me ajude. 

 Respondendo Jesus, disse-lhe: Marta, Marta, estás ansiosa e fadigada com muitas coisas, mas uma só é necessária; E Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada."

É possível entender que Marta, enquanto trabalhava, não deveria perder tempo criticando Maria que ouvia os ensinamentos de Jesus, pois a passagem parece mostrar que ambas já haviam escolhido o que fazer naquele dia. Marta recebeu Jesus, mas escolheu continuar seus serviços permanecendo ansiosa, enquanto Maria juntou-se a Jesus para ouvir seus ensinamentos sobre o amor a Deus e ao próximo como a si mesmo - O amor verdadeiro, o amor a todas as coisas.

Jesus diz para Marta, que mais importante do que os afazeres domésticos e possíveis preparativos, é ouvir os ensinamentos da lei de amor e estar junto com quem vive estas palavras. Isto porque o ser humano pode e deve dedicar algum tempo aos serviços de seu sustento, mas ele não foi feito para ser escravo nem para ser uma máquina. Tal fato está de acordo com vários outros ensinamentos de Jesus para que vivamos um dia de cada vez, sem acumularmos bens para o futuro e sem "vãs preocupações". Não se trata de irresponsabilidade nem de negligência e sim de evitarmos a avareza, a ansiedade e a ganância. Certamente isto se tornou mais difícil na era moderna após a propagação do mercantilismo desde o final do século 15. Pois deste período até os dias de hoje, com o advento dos sistemas sócio econômicos liberais e neoliberais que têm a dominância de uma ideologia de acumular bens, sem se importar com o próximo, espalha-se o discurso falacioso de que é natural que pessoas empobrecidas morram de fome ou de doenças, enquanto uma minoria acumula grandes fortunas desnecessariamente; Esta ideologia por trás destas regras sociais e econômicas é o capitalismo, que objetifica e precifica a vida, contrariando os ensinamentos de Jesus de se viver um dia de cada vez, com amor ao próximo.

Praticar as palavras de Cristo então é ser misericordioso, não só ajudando os necessitados, mas também criticando e denunciando os que acumulam muito poder na Terra prejudicando os demais. Assim Jesus mostrou o amor de Deus a todos: apontou os erros e maldades dos líderes sacerdotes e dos enriquecidos que priorizaram seus bens materiais e suas posições de poder, como um pai que tenta corrigir seus filhos. Acolheu os miseráveis como uma mãe que tem esperança e sempre ama e recebe as suas crianças. Isto porque o amor é um sentimento bom, que deve ser expresso como as emoções - necessidades humanas. Para estar junto daqueles que se ama, Jesus viveu desta maneira, pois mostrou amor por toda a humanidade, buscando corrigir os egoístas que causavam grandes males às outras pessoas e acolhendo os humildes, os sofredores e os que se dispõem a viver a lei de amor.


 

sábado, 7 de setembro de 2024

Qual é a idade da religião monoteísta? A História é só escrita?

Sistemas Religiosos e Mitologias

As mitologias de que ouvimos falar, como a grega, a nórdica, a celta, a indiana, a japonesa, a egípcia, a asteca entre outras, são sistemas religiosos. De certo modo referem-se não meramente aos contos sobre a origem da civilização ou do universo, mas também referem-se às crenças, ritos e oferendas aos deuses (enfim religiões) de suas respectivas culturas. 

A maioria delas têm contos incríveis, exagerados, ou até mesmo bizarros, sejam sobre deuses, seres fantásticos, ou fenômenos cosmogônicos e isto deve ter sido assim por variados motivos. Porém entende-se que (ao menos alguns d)os contos mais estranhos desses sistemas tratam de assuntos complexos para os povos da antiguidade. 

Entre tantos sistemas religiosos politeístas da antiguidade, ou que no mínimo cultuavam variadas entidades, existiu ao menos um diferente: O judaísmo, pois entende-se que esta religião tenha sido monoteísta por muitos séculos - Deus é um; o que existe entre a raça humana e Deus, é uma hierarquia de anjos, mas estes não são "deuses". Apesar de haver uma possibilidade do judaísmo ter uma origem e/ ou influência de uma religião politeísta em um passado distante (como a religião dos cananeus, por ex.), se levarmos em consideração a tradição religiosa judaica, tal religião é monoteísta ou monólatra há pelo menos 1 milênio "antes de Cristo". Talvez possamos contar também com o masdeísmo (zoroastrismo), mas há quem diga que esta se tratava de uma religião dualista. No sanatana dharma (hinduísmo), a Kriya Yoga, explica que Brahman é O Deus (onipresente como de um monoteísmo etc) e que Brahma é só o seu aspecto criador, ao lado de Vishnu, o preservador e Shiva, o destruidor (renovador). Porém muitas outra vertentes do hinduísmo parecem ser politeístas, então foquemos no judaísmo: Esta religião monoteísta poderia mesmo tão antiga quanto as religiões politeístas mencionadas? 

Os Primórdios 

A história não esclarece todo o percurso das religiões, ao menos não se considerarmos como história somente a escrita que começou por volta de 3500 aC. 

Teríamos que recorrer à história pré-escrita, ou, para quem não gosta deste termo, teríamos que recorrer à história da arte e à arqueologia. Mesmo porque o mais antigo escrito encontrado do judaísmo parece pertencer ao século 6 a.C e isso é muito mais recente do que várias outras religiões. Porém sabe-se que os povos que praticavam a religião abraâmica e monoteísta já existiam muito antes do século 6 a.C. e preservavam suas tradições e ensinamentos religiosos de maneira oral, como tantas outras culturas espalhadas pelo globo terrestre.

Uma interpretação aceita na academia/ na ciência da história das religiões parece considerar que o judaísmo surgiu entre os séculos 15 a.C. e 20 a.C. Porém não há resposta definitiva se o judaísmo é mais novo ou mais antigo do que as religiões egípcia ou sumérias, pois não existem provas empíricas definitivas sobre assuntos tão antigos. Se tratando da arqueologia como complemento para o entendimento da história, torna-se muito difícil obter provas claras e incorruptíveis - Por exemplo, vide o caso da pirâmide de Khufu, que há quem conteste as supostas provas que liguem esta construção a tal faraó. Isso ocorre porque a história das religiões da antiguidade tem uma quantidade de registros precisos bem menor do que os períodos mais recentes e muito da tradição sobreviveu através da oralidade (contos etc) passada de geração para geração. 

O mesmo ocorre com o xintoísmo e com o taoismo. Os registros (da história escrita) são muito recentes quando comparados às suas datas de fundação tradicional: Pela tradição oral, entende-se que o xintoísmo é milhares de anos mais antigo do que a primeira escrita e que o taoísmo foi fundado séculos antes da 1ª dinastia chinesa (seja a Xia, ou a Shang). 

Sendo assim, nos sobra avaliar os próprios escritos religiosos de cada cultura e o que há de plausível no que se refere às datas das histórias das religiões, dos seus personagens etc. Embora seguindo uma descrição tradicional da cronologia do judaísmo, tal religião tenha sido fundada por Abraão, através da leitura dos próprios textos religiosos, entende-se que os personagens mais antigos da cronologia já "temiam" a Deus. Este temor não era o ato de lembrar de Deus só quando os personagens se deparavam com uma situação difícil, desesperadora ou urgente, certamente tais personagens muito mais antigos que Abraão tinham uma religiosidade/ espiritualidade. Desta forma, o (pré) judaísmo teria sido “fundado” pelo mais antigo personagem de seu livro sagrado: Adam (traduzido como Adão para a língua portuguesa). Por exemplo, de acordo com o livro “A Caverna dos Tesouros” do cristianismo sírio, apesar de ter cometido um grave pecado, sendo banido do Éden, Adão teria sido o primeiro sacerdote (de Deus, do monoteísmo, da religião “abraâmica”) na Terra. Este personagem e sua esposa, Eva, teriam vivido e/ ou chegado/ ou encarnado (n)à Terra por volta de 4000 aC. O livro foi escrito entre os séculos 3 e 6 (não há um consenso absoluto), porém trata de histórias de personagens muito mais antigos do que qualquer escrito do judaísmo/ do “velho testamento”, ou seja, trata de uma possível tradição oral. Tal tradição oral, por sua vez, indicaria que o surgimento do judaísmo (talvez mais precisamente uma religião monoteísta pré-judaica) ocorreu 500 anos antes dos primeiros sistemas de escrita na Terra. 

Na verdade é uma discussão pouco produtiva tentar descobrir qual religião é mais antiga: Possivelmente tal busca, muitas vezes seria meramente movida à base de orgulho, de fascinação e/ ou de rivalidade entre grupos de pessoas. Cada pessoa ou grupo de pessoas defenderia sua religião favorita, ou atacaria uma ou mais religiões das quais não gostasse por qualquer motivo. Porém as histórias destes personagem supostamente antiquíssimos tem finalidades mais importantes do que determinar a idade de uma religião ou de um povo: Elas tratam de questões éticas, fazendo crítica à inveja e à violência (história de Caim e Abel), à idolatria de familiares (Enos) à luxúria e à vaidade/ orgulho/ narcisismo (durante o período dos filhos de Lamech) etc. Claro que muito dos ensinamentos religiosos da antiguidade podem parecer nada éticos neste início de século 21, mas os possíveis anacronismos e mudanças éticas no decorrer da história não serão abordados neste texto.

O fato é que Adão e Eva são os personagens ou sacerdotes mais antigos das religiões “abraâmicas” e faz todo sentido que suas histórias contenham distorções e alegorias. Quando uma quantia de conhecimento se estende por um período muito grande e com grandes dificuldades de registro, é natural que se perca conteúdo e que se invente maneiras de tentar condensar e/ ou resumir fatos. Neste processo podem ocorrer combinações de histórias, distorções etc. 

Religião e Historicidade/ Ciência 

Vimos que a história e a religião judaica / hebraica se misturaram no decorrer do tempo e também vimos que a história humana é mais antiga do que a escrita, então muito da história foi transmitido oralmente por milênios e cada povo (cultura, civilização…) passou a fazer registros escritos em diferentes épocas. A quantidade de informação a ser transmitida ao longo de períodos tão extensos (séculos ou milênios) certamente é excessiva para povos que se apoiaram na cultura oral ao invés da escrita e por isso houveram “resumos” e condensações dos contos ao longo da história destas culturas (sejam ela a judaica/ hebraica, a persa, a nórdica, a celta, a japonesa, a yorubá, a tupi-guarani entre tantas outras). 

Apesar das possíveis e improdutivas discussões sobre o que era alegoria e o que eram fatos “empíricos” sobre Adão e Eva, fica implícito na Bíblia que seus filhos Caim e Set casaram-se, tiveram filhos e fundaram cidades (ou, ao menos, povoados). Além disto, Caim, por ter cometido o pecado do assassinato de seu irmão Abel, é marcado para que outros não o persigam e não o mate. Tudo isto já indica que haviam outros habitantes (seres humanos) na Terra, nem sendo necessário buscar estudos científicos para entender tal fato. A tentativa de reduzir a idade do ser humano na Terra para 4000 anos antes de Cristo, possivelmente foi feita por religiosos que talvez nem tivessem boa índole: Em períodos de baixo letramento, talvez da antiguidade até o início da renascença, tal fato pode ser mais aceitável, pois a maioria das pessoas não tinha tempo para ficar refletindo sobre a idade das civilizações ou da raça humana. Porém, com a difusão gradual do conhecimento a partir da renascença europeia (século 16), a insistência em tal argumento parece mais uma ferramenta típica para tentar se manter no poder, alegando conhecer toda história (ou origens) da humanidade. Ferramenta esta, muito útil na era medieval e em períodos mais antigos, onde era praticamente impossível estudar história e arqueologia a fundo e buscar propagar/ divulgar a verdade de maneira ampla. Porém defender a ideia de que a raça humana surgiu de um simples casal cerca de 4000 anos antes de Cristo, mostra-se uma atitude muito contraditória após o iluminismo (movimento intelectual da Europa entre os séculos 17 ao 19) e após o início da arqueologia e da geologia. Impor a ideia reducionista de que a raça humana tem poucos milhares de anos como se fosse verdade é desafiar outras religiões que afirmam que a raça humana e/ ou o cosmo são mais antigos (o hinduísmo por exemplo); é tentar impedir os estudos de geologia (e da arqueologia), seja quando tal área de estudo pertencia à filosofia natural no século 18, ou depois, a partir dos meados do século 19, na ciência.

Como estudar as Religiões e a História?

Vimos que muitas podem ser as motivações por trás do estudo das religiões e da história, sejam estudos vinculados (história das religiões) ou estudos separados entre si. Mas o que importa na religião? Seguir quem tem o poder/ quem dita ordens ou buscar a verdade e o bem maior? Eu fico com a segunda opção. Assim então, é possível tratar de variadas obras religiosas que permitem uma melhor investigação dos personagens mais antigos das religiões abraâmicas (e de outras religiões também), suas possíveis inter relações e suas respectivas linhagens até períodos mais recentes. 

Particularmente não me limito aos métodos exclusivos da ciência naturalista e sua suposta "neutralidade" que se mostrou frágil e contraditória, para não dizer inexistente, ao longo da história. Entendo que tanto o estudo da história, como o das religiões podem e devem ser pautados pela ética

Mas a ética não é área de estudo das ciências, e sim da filosofia... Sim. Eu sei disto e não descarto a ciência, mas o que quero dizer é que a finalidade dos estudos deve ser ética, portanto considero a filosofia essencial na construção de conhecimento. Se obtenho êxito ou fracasso, não sei dizer, mas sei que a ética não se limita a valores individuais pois abrange valores que fazem bem ao maior número de pessoas possível, ao coletivo - tem uma finalidade de melhoria não só individual/ moral, mas social também. Sei que tal tema é discutido há séculos e conheci gente que despreza a ética porque acha que a filosofia é muito teórica... Tais pessoas buscam conhecimentos tentando ser mais práticos; com mensuração matemática ou com evidências materiais, mas tal ênfase tida como científica muitas vezes provou se distanciar da ética e das finalidades que abrangem causas coletivas/ sociais. (para quem se interessar, tal tema é abordado aqui: https://amorpelosabersaberamar.blogspot.com/2024/08/a-anti-etica-etica-e-psique-humana.html) Portanto, apesar das dificuldades prefiro estudar os temas citados neste texto, buscando ser ético, buscando a verdade, que não é separável do conceito de pureza e sendo ambos conceitos relacionados à psiquê humana, eles estão relacionados ao amor. Pode parecer devaneio, mas esta verdade e pureza psíquicas almejadas no estudo ético das religiões, da espiritualidade e de sua história, se vinculam não a qualquer "tipo de amor", mas ao mais profundo e mais abrangente, portanto se relacionam com o amor ensinado por seres como Jesus. Não é um mero romantismo, pois não é um amor desvinculado da racionalidade, porém a finalidade destes estudos não é a racionalidade em si: é a busca de melhoria do ser humano como indivíduo e como coletivo/ sociedade. Esta busca de melhoria é a ontologia da filosofia ocidental fundada por Platão (citada na obra "Fédon") e se relaciona com a ideia (eidos) mais elevada ou mais perfeita abordada por este filósofo: o bem (kalos: o bem e belo, como explicado no diálogo "A República"). Pois como Platão indica em suas obras "O Banquete" e "Fedro", o bem é o que há de mais desejável, mais amável.

 

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 Após ler um texto do fundador do espiritismo, Allan Kardec, onde este analisa a obra de outro autor, chamado Renan, decidi escrever este te...